É uma perspetiva comum a uma grande variedade de predicados morais que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade, isto é, a pessoa que sobrevaloriza a razão em detrimento das outras faculdades psíquicas e subvaloriza, subjetivamente, o sujeito ou relativo a ele – a sentimentos, impressões e opiniões pessoais, individuais, particulares, etc.
Atrevo-me a especular que os lamentos de Tony de Matos estavam incindivelmente associados à desumanização da sociedade para com ele, do ideal da dignidade do Homem, tendo em conta a positividade do influxo religioso, como condição indispensável para a reordenação das ciências humanas e práticas, visando a determinação do “bem comum” real dos povos e das pessoas, individualmente
Como seu admirador incondicional, a qualidade e a melodia dos seus fados/canções trouxe-me à memória a sensibilidade do que era quase toda a sua produção artística e as fragilidades associadas ao seu ego. Todavia, uma das que mais me inspirou a arrazoar estes desabafos e a que se assemelha ao seu sentimento romântico, intitula-se “Fiz Leilão de Mim”, da qual apelo à paciência e bondade dos senhores leitores para, a seguir, transcrever alguns dos seus fragmentos:
“Talvez de razão – perdida,
quis fazer leilão – da vida;
disse ao leiloeiro, venda ao desbarato,
venda o lote inteiro, do mundo estou farto.
Fiz leilão de mim
e fui por ti apregoado,
mas de mau que sou,
ninguém gritou – arrematado.
Fiz leilão de mim,
tinha razão m/almofada;
com lances a esmo provei a mim mesmo,
que não valho mais que nada.
Também quis vender- meu fado
meu fado de ter – errado.
Leiloei ternura, chamaram-me louco,
estranha amargura e o mundo fez pouco.
Depois leiloei – carinho,
em praça fiquei – sozinho;
diz-me a pouca sorte, para castigo,
até vir a morte vou ficar comigo“.