Costumo fazer todos os anos uma visita à Feira do Livro. Este ano continuei a saga, embora com muita dificuldade, dada a minha doença.
A Feira é pequena, mas muito bem organizada, com um senão, a entrada para os stands, nalguns casos é muito elevada, o que tornou difícil a minha entrada. Continuamos a olhar com indiferença todos os que possuem doenças que lhe dificultam a mobilidade.
Felizmente consegui entrar num stand onde encontrei um livro de bolso com o título Poemas em Prosa editado pela Alma Azul em 2007 e cujo autor é Charles Baudelaire
Adorei esse título e todo o seu conteúdo de que vou apresentar uma passagem aos meus leitores. Poema ou Prosa? Pensem e decidam
[Deves andar sempre ébrio. É a única solução. Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar: com vinho, com poesia, ou com a virtude. Escolhe, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, `a estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que murmura, a tudo o que gira, a tudo o que fala; a tudo pergunta-lhes que horas são. “São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Com vinho, com Poesia, ou com a virtude”.]
Prosa ou Poesia?