16 de Março de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

TESTEMUNHOS: COMA

3 de Agosto 2023

I

Repentinamente a noite caiu.

Abriu-se a Janela que com estrondo partiu.

Os vidros estilhaçados espalham-se pelo chão,

Que estremecem qualquer coração.

Entrou uma lufada de ar, caminhando lento,

E milhões de palavras escritas no vento.

Miragens, mitos e imagens,

Metáforas e libertinagens.

Vislumbra-se um rosto enrrugado, pronto p`ra eternidade,

Que dialogando está com suprema humildade.

Alguém balbuciou : agora é tarde!…

II

Um pássaro da noite à janela arribou;

PIU, PIU, PIU, – e piou, e avisou da partida,

Que tem uma só ida.

III

Já pleno de descrença,

Nesse piar pressente a pior doença,

A sentença,

A amarga verdade,

A irracionalidade.

Cansado de olhar a janela, – os olhos lhe fecharam.

Não esperando um novo dia, jamais pestanejaram.

As jornadas findaram,

O imaginário e a consciência finaram.

Definitivamente, já se vê p`ró além;

Parte, pagando, revoltado, o tributo da vida;

É a volta da vinda, – só ida.

Já sem certezas de nada e do nada,

Deita-se na fogueira, e, logo após, «catapós»;

Agora, só já resta pó.

 


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