I
Repentinamente a noite caiu.
Abriu-se a Janela que com estrondo partiu.
Os vidros estilhaçados espalham-se pelo chão,
Que estremecem qualquer coração.
Entrou uma lufada de ar, caminhando lento,
E milhões de palavras escritas no vento.
Miragens, mitos e imagens,
Metáforas e libertinagens.
Vislumbra-se um rosto enrrugado, pronto p`ra eternidade,
Que dialogando está com suprema humildade.
Alguém balbuciou : agora é tarde!…
II
Um pássaro da noite à janela arribou;
PIU, PIU, PIU, – e piou, e avisou da partida,
Que tem uma só ida.
III
Já pleno de descrença,
Nesse piar pressente a pior doença,
A sentença,
A amarga verdade,
A irracionalidade.
Cansado de olhar a janela, – os olhos lhe fecharam.
Não esperando um novo dia, jamais pestanejaram.
As jornadas findaram,
O imaginário e a consciência finaram.
Definitivamente, já se vê p`ró além;
Parte, pagando, revoltado, o tributo da vida;
É a volta da vinda, – só ida.
Já sem certezas de nada e do nada,
Deita-se na fogueira, e, logo após, «catapós»;
Agora, só já resta pó.