16 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

TESTEMUNHOS: As Cinco Zonas Azuis e o Idadismo

15 de Março 2024

Todos queremos ter os anos finais de vida sem decrescimento de funções e sem doenças neurovegetativas. Em Portugal, é quase uma utopia pedir-se isso. A qualidade de vida dos velhos é, genericamente, uma má qualidade de vida.

A semana passada desloquei-me ao Centro Cirúrgico de Coimbra, e, enquanto esperava por uma consulta, fui folheando a magnifica Revista Olhares que o Centro publica. Ali encontrei um texto elaborado a partir de uma Conversa no Exploratório com Cristina Januário, sob o título, Como Quer Envelhecer?

Foi nessa publicação que fiquei a conhecer as cinco Zonas Azuis, localizadas no Japão, Grécia, Estados Unidos, Costa Rica e Itália. Pelo artigo é importante saber que a denominação azul é um acaso, por terem sido marcadas no mapa com caneta azul. Mas o que lá acontece, de acordo com Cristina Januário, não é uma casualidade. É ali que existe uma população em maior número centenária e, além da longevidade, acumulam a característica de envelhecerem bem, felizes e com saúde.

O documento em apreço, apresenta mesmo o caso japonês, Okinawa, considerada a terra dos imortais, onde vivem as mulheres mais velhas do planeta. O que fazem elas?

Com a devida vénia transcrevo o que o artigo nos proporciona saber. “ Andam a pé e tomam as refeições no chão, um facto que [por se levantarem tantas vezes] proporciona que tenham equilíbrio, protegendo-se de eventuais quedas. Em todos eles, o destaque vai para a alimentação e para o plano de vida. Têm um propósito, um sentido de pertença, sentem-se necessários e querem contribuir para um bem maior. Isolamento e solidão são o oposto do que é envelhecer bem.” Desenvolvem um propósito, um objectivo que os faça erguer da cama. Este facto “aumenta em 7 anos a esperança média de vida.” Ali “o conceito de reforma não existe, mas está sempre bem presente a ideia de que são importantes para alguma coisa. A família e os amigos fazem parte do dia – a – dia e está bem presente a interacção entre avós, filhos e netos”.

 

Onde está, nesta comunidade, implantado o idadismo? Pura e simplesmente, não existe.

 

Obs: Vários leitores entraram em contacto comigo perguntando o que entendia eu por idadismo, palavra que utilizei num dos últimos artigos. Vou-me valer da Academia de Ciências de Lisboa para esclarecer o significado. Esta instituição reputada, acrescentou essa palavra ao Dicionário de Língua Portuguesa. E, deu-lhe um significado: “atitude de discriminação e preconceito com base na idade.”

Espero que os tenha esclarecido e fico grato pelo vosso interesse em lerem os meus artigos.


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