13 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

TESTEMUNHOS Ao Postigo

19 de Abril 2024

 

Hoje o dia nasceu bem solarengo, aportou ao meu postigo, uma janela, por onde espreito, quase janela.

O sol foi fugidio, de luz enternecida vestido, triste que baste. Fechei a cortina e recolhi-me dela.

O sol ao dar pela minha falta aproximou-se,

Depois eclipsou-se.

Não sei o que se passou comigo, convosco, contigo.

Vejo-vos todos a espreitar, dissimulados, a solidão pelo postigo.

Sei que já somos outros, agora por sermos velhos, já vestimos por metade.

Olha António, segreda – me alguém, deixa passar esta sombria tempestade,

Porque os dias que aí vêm, p`ra viver, são já menos de metade,

E os seguintes metade da metade,

E os quase finais metade da metade da metade,

E os últimos, já não têm qualquer metade.

E assim será, até serem um minúsculo ponto no espaço indistinto.

Desta feita, meu amor, o fim prescindo,

Eu não te minto.

 


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