Hoje o dia nasceu bem solarengo, aportou ao meu postigo, uma janela, por onde espreito, quase janela.
O sol foi fugidio, de luz enternecida vestido, triste que baste. Fechei a cortina e recolhi-me dela.
O sol ao dar pela minha falta aproximou-se,
Depois eclipsou-se.
Não sei o que se passou comigo, convosco, contigo.
Vejo-vos todos a espreitar, dissimulados, a solidão pelo postigo.
Sei que já somos outros, agora por sermos velhos, já vestimos por metade.
Olha António, segreda – me alguém, deixa passar esta sombria tempestade,
Porque os dias que aí vêm, p`ra viver, são já menos de metade,
E os seguintes metade da metade,
E os quase finais metade da metade da metade,
E os últimos, já não têm qualquer metade.
E assim será, até serem um minúsculo ponto no espaço indistinto.
Desta feita, meu amor, o fim prescindo,
Eu não te minto.