Caríssimo leitor, hoje vamos ao Japão. Aproveitamos o Sol e… vamos a pé.
Cidade em permanente reinvenção, no Largo da Portagem alguém relembra anteriores topónimos – Largo do Príncipe D. Carlos, 1886, e Largo de Miguel Bombarda, 1910 – e a singularidade de se ter recuperado em 1942 nomenclatura referenciada em documento do séc. XIV. Usufruir de uma das esplanadas hoje existentes na Portagem, é ter como cenário uma biblioteca à espera de… leitores. Este nosso Largo ficará para outro postal, caro leitor, hoje é o Japão o nosso destino.
Açude-ponte, ponte Pedro e Inês ou ponte de Santa Clara? Santa Clara. Paramos no “umbigo” da cidade: o Mondego. Se há algo que define Coimbra e a Região é sem dúvida alguma o nosso Mondego, ontem como hoje, é ao rio que devemos a identidade de uma cidade em movimento.
Verdadeira “auto-estrada” que foi, entre a nascente e a foz, permitindo trocas comerciais, mas também a fixação de comunidades ao longo das margens ou o nascer de práticas de sociabilidade que hoje valorizamos cada vez mais como património cultural e fator de atratividade dos territórios que visitamos e vivenciamos (comunidade residente é propulsor imediato de sentimento de pertença): festas e romarias, música, dança, gastronomia, artesanato,… É ao rio que devemos toda a cenografia urbana, mas também a riqueza cultural, patrimonial, natural, edificada e gastronómica de toda uma Região.
O Mondego, “umbigo” de Coimbra, permite-nos uma imagem panorâmica, caleidoscópica, da cidade. Sensivelmente no mesmo caminho que hoje percorremos, existiram outras estruturas de atravessamento que permitiram a tantos antes de nós cruzar margens, por motivos diversos – relembramos que estamos a percorrer traçado dos Caminhos de Santiago, mas também de Caminhos Marianos ou mesmo de… Caminhos da Canção. O postal já vai longo, os passos foram poucos mas já estamos a chegar ao Japão. Porque seria assim reconhecido este lado da cidade? Será que algum dos nossos leitores nos consegue esclarecer? Terá alguma história para connosco partilhar? Chegamos à Av. João das Regras e encontramos uma multiplicidade de oferta gustativa: gelados, massas, croissants, petiscos, pastelaria, cozinha regional ou mesmo internacional, há para todos os palatos e para todas as horas do dia – Sim, caro leitor!, por aqui, para além do almoço ou jantar, também pode tomar o seu pequeno-almoço ou a sua merenda. Fica uma sugestão: ir até à Galeria Santa Clara, a casa de Ti Margarida, “cozinheira de gerações de gastrónomos/ que não sabiam que o eram” (como se lê em placa afixada na esplanada), tomar uma limonada com vista para o magnífico Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e também para a (com a sua licença, caro leitor) cabra.
Chegamos ao Portugal dos Pequenitos. Lugar verdadeiramente mágico, situado praticamente onde terá existido afamada fábrica de porcelana fina (Vandelli deixou a sua marca não “apenas” no Jardim Botânico mas também na faiança de Coimbra; fica aqui uma outra sugestão: que tal regressar ao Museu Nacional de Machado de Castro, desta vez tendo por mote a loiça e a faiança coimbrãs?).
Junto ao Convento de S. Francisco, em boa hora recuperado e “devolvido à cidade e região”, mantendo as marcas de toda a sua história, olhamos mais acima a nossa Rainha Santa Isabel e relembramos o facto de 2022 ser ano processional.
O “nosso” Japão tem muito para (re)descobrir, a Cidade e a Região têm uma ampla oferta cultural que aguarda o nosso envolvimento, inúmeros espaços que estão de portas abertas para nos receber, espaços públicos (jardins, mas também largos, esplanadas,…) e comércio tradicional que crescem se os “alimentarmos”.
De Coimbra ao Japão em duas pinceladas e meia que poderiam ser toda uma galeria a Céu aberto a aguardar a nossa pincelada, a nossa participação ativa para que esta seja, continue a ser!, a cidade em que temos orgulho de viver.
Até breve, caríssimo leitor, e deixe-se surpreender pelo que Coimbra e a Região nos convidam a saborear, partilhar, co-criar e…