(Verso Em Prosa)
Quando morrer quero um dia chuvoso,
Relâmpagos e coriscos, enfurecidos,
Que fotografem a minha vida apoquentada.
Por isso, digo, que a coisa mais estranha na morte,
É a vida,
O prolongamento da vida,
A continuação de todas as vidas que nos rodeiam,
Enfronhadas nas suas rotinas,
Como se fossem normais,
Tudo normal.
As vozes sempre a dizerem-me ânimo,
Como se a força abundasse,
Quando já não sentimos a vida,
Por dentro de nós.
Tudo foi um sonho Imperfeito.
Acordei estremunhado.
Peguei no livro da mesinha de cabeceira “cadernos” de Camus.
Às tantas escreve o autor: “morremos sós, todos morremos sós”.