É inegável que a solidariedade é um dos valores fundamentais cultivados pela humanidade. Ser solidário é não só partilhar com os outros bens e valores materiais, mas igualmente amizade, amor, espírito de entrega, cooperação, interajuda e empatia. A solidariedade permite estreitar laços na relação humana nesta «aldeia global» que é o nosso mundo. Ser solidário não é apenas resultado da nossa predisposição genética, sendo também fruto de aprendizagem em contexto social e cultural. Nos tempos em que vivemos nota-se um acréscimo dos atos de solidariedade, sobretudo através de práticas de voluntariado em diversas instituições que apoiam os mais desfavorecidos na sociedade.
A Escola tem também um papel primordial e indispensável a desempenhar, sensibilizando os seus alunos para serem solidários, começando essa solidariedade no interior da própria escola. Apoiar um colega que tem mais dificuldade nos estudos, apoiar economicamente outro colega com necessidades, ajudar psicologicamente um colega com problemas emocionais ou psíquicos, apoiar, de diversos modos, um colega deficiente auditivo, visual ou físico, são gestos simples que fazem a diferença e que contribuem, em grande parte, para melhorar a vida de outrem. Pode-se também estender a Escola à sociedade com iniciativas que promovam a satisfação e bem-estar das pessoas menos favorecidas da comunidade. Igualmente a Igreja tem dado um importante contributo ao incrementar a solidariedade com práticas de apoio e com a criação de centros paroquiais que ajudam em termos alimentares, de vestuário e economicamente, muitas famílias carenciadas, prestando também estimáveis cuidados a idosos e à infância. Por isso, a falta de solidariedade não é um dos problemas do nosso tempo notando-se em termos nacionais e internacionais a expansão de movimentos e instituições cujos objetivos são promover a solidariedade, minorar as diferenças existentes.
Nos nossos dias muitos não têm uma vida organizada e vivem, sem casa, nas ruas, excluídos socialmente. Para esses torna-se urgente um apoio próximo que lhes conceda uma melhoria de vida em termos físicos e económicos e também uma maior dignidade enquanto seres humanos. Atualmente, inúmeras instituições contribuem para esse desígnio acompanhando-os proximamente e tornando a sua vida sem sentido menos desesperada. A solidariedade, que é o oposto ao egoísmo, intensifica-se em tempos de crise porque há sempre pessoas prontas a dar o melhor de si no acompanhamento dos outros e determinadas em fazerem deste mundo em que vivemos um mundo melhor onde as desigualdades – sobretudo económicas – se atenuem.
O ato solidário determina, em última instância, a relação eu-outro. É através do outro que eu me revejo nos atos que pratico e que me formo enquanto pessoa. Sem o outro eu não era quem sou pois é ele que me vai ajudando a moldar o meu próprio ser pela inter-relação. O Ego cresce, pois, na razão inversa do egoísmo. A felicidade de cada um constrói-se na razão direta do apoio solidário ao próximo porque a minha felicidade não pode erguer-se sobre a infelicidade dos outros.
Ser solidário é, em suma, ser altruísta prestando o máximo de cuidados e apoios possíveis ao maior número possível de pessoas. É disponibilizar-se para ajudar estando atento às necessidades dos outros. Entregar-se aos outros é uma capacidade que muitos possuem enriquecendo, desse modo, a sua própria vida pessoal e relacional.