Como antídoto para o ruído, a serenidade, na sua essência, consubstancia, por assim dizer, uma utopia, em face da realidade da mundialização social, em que o ruído é uma das maiores pragas da nossa era, por que abafa a serenidade das populações, permanentemente confrontadas com notificações obrigacionais, pressões, expectativas, prazeres, emoções, etc., tudo convergindo para as afastar daquilo que deveria ser fundamental – a paz interior, o saber ouvir, o silêncio. Se conseguirmos escutar o silêncio dentro de nós ele conduz-nos à descoberta da nossa essência. É nele que nós conseguimos refletir, pensar, etc. (colaboração da Drª Isabel Trindade).
Opostamente, o homem que faz ruído só recebe ruído de volta (provérbio Tuaregue). O mundo contemporâneo é cada vez mais ruidoso. O silêncio é constantemente violado pelo ruído ao ponto de se ter transformado numa droga industrializada. Sobretudo, os jovens e adultos que usam e abusam dos fones, que não suportam o silêncio um só momento, necessitam constantemente de um ruído, de um qualquer fundo musical intenso, pela rádio, pela TV. ou por outras fontes. Os níveis de ruído, nomeadamente nas grandes cidades, são devastadores para a sua saúde física e mental, atingindo o sistema nervoso e o cérebro.
Um dos sinais dos nossos tempos é a surdez, cada vês mais precoce nos jovens. Vivemos num universo de poluição sonora, verdadeiramente ameaçadora, que nos pode tornar esquizofrénicos, paranoicos, assassinos. É, pois, urgente uma mudança radical de rumo que transforme a nossa civilização, que privilegie a saúde, que ilumine o nosso espírito, um mundo onde predomine o respeito espontâneo pelo outro. (cfr. Idalete Giga).
Aliás, essa mudança radical deveria, há muito, imperar nas escolas, nas manifestações de rua, nas tertúlias e nos debates desportivos e políticos, inclusive na arena da A.R., através dos canais televisivos, onde os intervenientes contendem como autênticos gladiadores, para imporem as suas incongruentes e vazias ideias, nos estúdios/ringues de quase todas as estações, num quadro indigno de gente civilizada. Este flagelo, só por si degradante, não mereceria grande reprimenda se não transbordasse para os jovens expectadores os quais, sendo autênticos mata-borrões, como diz um amigo meu, assimilam os seus conteúdos e convertem-nos em atos num qualquer cenário público, indiferentes à sua inconveniência.
E de quem é a culpa …?. Da falta de educação e da indisciplina ousada que os pais e os educadores profissionais lhes consentem, bem como os amplos direitos e liberdades que esta a tão defraudada Democracia lhes confere…!