SEM-ABRIGO, 10 MIL OU 20 MIL NO PAÍS?
Pouco passava das 5 da manhã. Entrou na sala de espera da Estação Velha da CP em Coimbra que tinha acabado de abrir as portas. Segurava dois sacos grandes de supermercado donde pendiam alguns panos um pouco coloridos tal como o exterior dos sacos que contrastavam com o escuro das suas roupas, da sua barba e dos seus sapatos andrajosos. Adivinhei-lhe a escuridão da alma e da vida. Numa sala de espera, quase deserta, primeiro sentou-se para pouco depois se estender com as pernas encolhidas ao longo do banco que lhe serviu de cama. Já era outono meteorologicamente, mas a noite estava tépida. Como será a vida deste homem nos dias frios? Por coincidência, ao abrir o meu telemóvel, li declarações do Presidente MARCELO a afirmar que tem de ser feito um esforço para reduzir, drasticamente, o número de sem-abrigo até 2026. A notícia dava conta deste número ter subido por causa da pandemia, da inflação e da tenebrosa crise na habitação. Talvez seja possível combater esta desinserção social dos nossos conterrâneos desfavorecidos até 2026. Serão 10 mil, serão 20 mil? Mesmo que fosse (apenas) este cidadão deitado no banco da sala de espera de Coimbra-B, o único sem-abrigo do país, desassossegava-me o espírito. Nessa madrugada ainda vim a encontrar mais dois sem-abrigo em estações ferroviárias. É preciso puxar o sinal de STOP nestas difíceis viagens da vida.
GRANJA DO ULMEIRO EM PAINEL LUMINOSO
Viajei num comboio que passou pela estação de Alfarelos/Granja do Ulmeiro. Há algum tempo que não fazia este trajeto ferroviário e reparei que na rua em frente ao edifício de madeira da estação (o velho edifício em alvenaria ruiu) há agora um painel luminoso indicando GRANJA DO ULMEIRO. Justo. Justíssimo. Durante anos a estação foi apenas denominada Alfarelos uma povoação que está fora dali. Esta estação está na Granja do Ulmeiro. O seu a seu dono. Finalmente, embora ainda colem Alfarelos à Granja do Ulmeiro.
PRAXE COM AMIZADE E FRATERNA INTEGRAÇÃO, SIM!
Há duas ou três semanas tivemos oportunidade de refletir, nestas colunas, acerca do cumprimento com carinho, rigor e afeto da PRAXE ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA tendo citado algumas passagens do CÓDIGO DA PRAXE, o livro fundamental para seguir os usos e costumes da velha e mundialmente conhecida Academia de Coimbra. Regozijo-me com a posição recente do Conselho de Veteranos e do Dux Veteranorum sensibilizando para que se evitem práticas desviantes como o batismo dos caloiros em quaisquer circunstâncias ou datas ou uso criminoso de carros de supermercado. Certas práticas aleatórias prejudicam o prestígio da briosa Academia coimbrã. É importante que todos os estudantes tenham conhecimento efetivo do que está articulado no Código da Praxe. É claro que há alunos de algumas Escolas superiores que estão a optar por práticas da sua própria instituição: têm direito a fazê-lo. Tenho pena de que algumas dessas práticas se interpenetrem e levem a confusões. Há Escolas superiores onde os alunos em vez de usarem capa e batina optam por trazer calças ou saias, camisa e colete iguais aos da capa e batina. Ou seja: dispensam a batina e a capa o que gera a confusão. Podiam, por exemplo, seguir a conduta do vestuário efetivamente diferente como acontece com a Escola Superior Agrária. Talvez seja importante que alunos da Universidade e de algumas Escolas do Politécnico possam um dia convergir no uso generalizado da capa e batina em Coimbra. Talvez!
HABITAÇÃO
Não consigo entender. Há falta de casas. Há falta de quem construa casas. Há falta de operários para trabalharem na construção das casas e entram milhares de novas pessoas em Portugal que precisam de ter um sítio para morar. Perante este panorama como é que se resolve a crise na habitação? Dos que cá estão e dos que chegam.