21 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Martinho

SALAZAR E AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS (I)

11 de Outubro 2024

Acabei de reler a narrativa “Salazar Confidencial”, da autoria do escritor e jornalista, Snr. Marco Alves, notado entre os seus pares pelo aturado empenho de pesquisa e elaboração dos temas que selecionou para a sua coletânea, o que o terá lançado para a tribuna dos cientes na matéria.

Desde jovem atreito à leitura de biografias e de factos históricos, dei por mim a ler e reler (várias) cerca de meia centena de obras versando sobre aquela personalidade, no âmbito da sua formação académica, política, económica, financeira e social, para ajustar o ruído do vulgo, o convergente e o divergente, os juízos de valor, acerca da sua magistratura, para assim estruturar a ideia-chave de todo esse acerbo e consolidar a minha opinião.

Apesar de ser um leigo na arte de compaginar ideias ou factos em standards que despertem a curiosidade de alguém, tal não obstou à minha atenção para detetar, na assinalada narrativa, uma certa tendência ideológica de omitir factos relevantes da governação, no âmbito de confidencialidade do cognominado ditador, venerado nos areópagos internacionais pelo desafogo conseguido nas nossas finanças públicas, que repuseram a sustentabilidade dos cofres do Estado, enriquecendo o país em todas as suas potencialidades.

E sublinho omitir para intercalar “o arremedo da governação que o antecedeu, com golpes e contragolpes militares, insurreições, contornos de guerra civil, ao longo de 16 anos, com oito presidentes da república e 45 governos, assentes no assassínio, no nódio, na violência, no terrorismo, que alimentou a instabilidade, a ruína da administração pública, o défice incomportável, enfim, a banca rota”.

Foi este panorama que antecedeu o seu ingresso no governo – pelo reconhecimento da sua excelência intelectual e de ser o mais qualificado dos técnicos para endireitar as finanças do país – como ministro das finanças e seguidamente como presidente do conselho de ministros, no qual só aceitou ingressar após teimosas insistências das forças políticas e do governo de então, mas sob várias e rigorosas condições, que enumerou no ato de posse:

“Sei o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando chegar a altura de mandar”. Em momentos de reflexão sobre o pensamento do povo português, terá afirmado: “se soubessem o que custa mandar gostariam muito mais de obedecer…!”


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