I
Rainha Santa, Rainha minha;
Desces hoje ao povoado,
P’ra ver o povo que te venera,
Imperial e serena,
Tens humildemente os olhos postos nas rosas,
Das quais fizeste pão,
Saciando da fome os deserdados.
II
Todos ao anos ia ver – te à igreja,
Onde pousavas no teu andor;
Olhava – te, linda, em silêncio profundo.
Parecia que rias,
Saía com a alma redobrada.
III
Este ano faltei, olho – te de longe,
Converso contigo, e o que me dizes Rainha?
– “Resiste, homem, resiste. Este mal que sentes o meu manto calará; voltarás a ver – me no meu andor.”
– “Assim farei minha Rainha, aguardo ver o teu manto, nas entranhas do meu silêncio mais profundo. Até lá a minha admiração.”