24 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Rainha Santa Isabel: um dos orgulhos de Coimbra

28 de Junho 2024

A Rainha Santa Isabel, padroeira da cidade de Coimbra, reúne um grande número de devotos em todo o mundo. Na cidade de Coimbra, é uma figura de especial relevo por ter sido “uma mulher de paz”, “muito amiga dos pobres e de quem mais precisava”, além de ter cumprido sempre o seu dever de católica. Nascida no Reino de Aragão a 11 de fevereiro de 1270, casou, com apenas 12 anos, com D. Dinis I, tendo Coimbra sido o local onde o casal passou algum tempo, após a celebração do matrimónio em Trancoso.

Após a morte do marido, a rainha mudou-se para Coimbra novamente, tendo passado o resto da sua vida no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Faleceu em Estremoz, a 4 de julho de 1336.

Por exigência constante do seu testamento, a Rainha Santa veio a ser sepultada em Coimbra uma semana depois da morte, no dia 11 de julho. Segundo reza a lenda, e ao contrário daquilo que era de esperar, o corpo emanava cheiro a rosas, em vez de mau odor, derivado da suposta decomposição do corpo.

Foi imediatamente considerada santa pela população, apesar de a beatificação ter vindo a acontecer muitos (180) anos depois do seu falecimento. A canonização foi decretada em 1625.

O túmulo da rainha terá sido aberto quase 300 anos (276 anos) depois da morte, por ordem do Bispo de Coimbra, D. Afonso Castelo Branco. Para espanto de todos, foi possível perceber que o corpo da santa se mantinha incorrupto, mesmo depois de quase três séculos sepultada.

Na sequência das sucessivas invasões do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha pelas águas do rio Mondego, D. João IV acedeu aos pedidos das monjas e ordenou a construção de um mosteiro novo, no alto da colina fronteira à cidade, o Monte da Esperança, em 1647.

Ainda sem todas as obras do Mosteiro estarem terminadas, em outubro de 1677, o corpo da Rainha Santa foi duplamente transladado: primeiro do túmulo de pedra para um túmulo de prata; depois, a segunda trasladação, em procissão, de Santa Clara-a-Velha para Santa Clara-a-Nova.

Por Coimbra não ter sofrido grandes danos com o terramoto de 1755, a Vereação da cidade proclamou a Rainha Santa Isabel como sua padroeira e, mais recentemente, passou a considerar-se o dia 4 de julho como dia da cidade e feriado municipal.

A vida e os feitos da rainha são celebrados pela Confraria com um programa religioso, que anualmente inclui missas e procissões de dois em dois anos.

No próximo ano, 2025, celebrar-se-á o 400.º aniversário da canonização da Rainha Santa Isabel.

Coimbra comemora Dia da Rainha Santa

Anos depois da morte da rainha, sobretudo depois da sua Beatificação ocorrida em 1516, a comunidade começou a realizar diversas manifestações de devoção, das quais se realça a criação da Confraria da Rainha Santa Isabel, em 1560, que teve por objetivo ajudar as monjas clarissas na sua devoção e também nas procissões.

As comemorações da vida da padroeira de Coimbra e da história da sua devoção, ainda hoje se mantêm e 2024 é ano de procissões e homenagens à imagem da santa.

Nos dias 1, 2 e 3 de julho realiza-se o “tríduo preparatório”, que consiste na realização de actos litúrgicos com pregações pelo Cardeal D. Manuel Clemente, na Igreja Rainha Santa Isabel.

No dia seguinte, vão acontecer duas outras missas, na mesma igreja. A primeira, às 11h00, é uma missa solene, celebrada pelo Bispo de Coimbra, D. Virgílio do Nascimento Antunes.

Às 18h00, realizar-se-á a missa da Real Ordem de Santa Isabel, na qual estarão presentes os Duques de Bragança.

O programa de celebração inclui, há décadas, duas procissões: a procissão de penitência e a procissão solene ou de regresso.

Conforme a tradição, a procissão de penitência deve decorrer à quinta-feira e a procissão de regresso ao domingo, mas, nos primeiros anos deste século XXI, foi criada a Real Ordem de Santa Isabel, que veio alterar alguns pontos nesta tradição.

Antes, mesmo que o dia 4 fosse uma quinta-feira, realizava-se nesse dia a procissão da penitência. Com a criação da Real Ordem e o pedido desta para que se celebrasse uma missa de tarde, definiu-se que a procissão da penitência passaria a realizar-se na 5.ª feira posterior ao dia 4 de julho. Esta decisão foi tomada devido ao facto de haver uma grande simultaneidade de trabalho para os Irmãos voluntários da Confraria, quer na preparação das missas, quer na ornamentação do andor que percorre várias ruas da cidade.

Este ano, como o feriado (dia 4) calha a uma quinta-feira, as procissões vão acontecer na semana a seguir, nos dias 11 (quinta-feira) e 14 (domingo).

A procissão de penitência, como é conhecida, pelo facto de as pessoas cumprirem promessas e orarem e remirem os seus pecados, realiza-se na tarde e noite de 11 de julho, desde o adro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova até à Igreja de Santa Cruz. No final da ponte de Santa Clara será feita uma saudação à imagem da Rainha Santa, seguida pela entoação de um cântico. No final haverá um espetáculo de fogo de artifício.

Depois, a procissão segue até à Igreja de Santa Cruz, onde a estimada imagem da rainha ficará até domingo à tarde, dia em que acontecerá a solene procissão de regresso.

O cortejo de domingo (14), solene ou de “regresso”, leva a imagem da santa de volta ao altar onde se costuma encontrar, na Igreja da Rainha Santa, na outra margem do rio, em Santa Clara-a-Nova. Inclui também uma breve alocução e bênção com o Santo Lenho, pelo Bispo de Coimbra.

No espaço de tempo entre as duas procissões, os festejos continuam a decorrer, com as Santas Missas, nos dias 12, 13 e 14 de julho, na Igreja de Santa Cruz, três vezes por dia. Será ainda possível visitar na Igreja a imagem da rainha, que estará em exposição das 8h00 às 20h00.

Sabia que…

O andor, usado nas celebrações do dia da cidade e da Rainha Santa Isabel, pesa cerca de uma tonelada, e, para o transportar, são necessárias 10 pessoas, neste caso, Irmãos da Confraria da Rainha Santa Isabel.

Existem, atualmente, três grupos de Irmãos disponíveis para o transporte do andor, devido ao elevado peso que este apresenta. Além disso, a sua preparação e ornamentação leva muitas horas de trabalho.

Em conversa com O Despertar, o presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel, Joaquim Costa e Nora, revela que no dia anterior à procissão de penitência, ou seja, dia 10 de julho, a igreja fecha portas às 18h00 “para os Irmãos retirarem a imagem do altar e a colocarem no andor”.

Por voltas das 21h00, costuma chegar a florista para adornar o andor, com ajuda das Irmãs da Confraria. “Só acabam por volta das 2h00, 3h00 da manhã. Não é um trabalho fácil”, revela o confrade. Além disso, e embora o altar fique sem a imagem durante alguns dias, costuma ficar arranjado para permitir que se possa rezar e celebrar a missa.

O andor é ornamentado por rosas, apenas. A flor simboliza a lenda do “milagre das rosas” da Rainha Santa.

Joaquim Nora contou ao Despertar que, na procissão de penitência (quinta-feira), procura-se que as rosas tenham uma tonalidade rosada, enquanto na procissão solene (domingo), as rosas devem apresentar um tom mais claro.

Ao longo do caminho, várias são as pétalas de flores que vão ficando para trás e, que regularmente, são disputadas pelos devotos da Rainha Santa.

O presidente da Confraria explicou ainda que, “em cada festa, são precisos dois núcleos de rosas”.

Já na Igreja de Santa Cruz e, devido ao calor que se costuma fazer sentir durante o trajeto, as flores que já não estejam viçosas, são substituídas pela florista.

Os festejos de homenagem à Rainha costumam atrair à cidade muitos milhares de pessoas, dos quatro cantos do mundo.


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