29 de Setembro de 2022 | Coimbra
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Rainha Santa Isabel: um amor que atravessa fronteiras

2 de Julho 2021

Cerca de 40 mil pessoas visitavam, por ano, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova antes da pandemia. De acordo com o presidente da Confraria, Joaquim Costa e Nora, vinham de todos os pontos do mundo – peregrinos, devotos, turistas… – evidenciando bem esta mística que envolve Santa Isabel.

Os anos de 2020 e 2021 registam, naturalmente, uma quebra muito acentuada com os confinamentos e condicionalismos associados à prevenção da covid-19. O turismo ainda levará o seu tempo a retomar o dinamismo que tinha mas, a nível interno, verifica-se já um maior número de visitantes. Costa e Nora diz que isso é evidente desde a “reabertura”, a começar desde logo pela afluência nas celebrações religiosas, com alguns fiéis a não poderem assistir às missas devido à lotação completa da Igreja, inicialmente com a capacidade reduzida a um quarto e agora a metade. Verifica-se também “mais movimento de visitantes nacionais”, tendo a Confraria organizado visitas guiadas pelo património, num percurso pelos vários espaços.

É certo que há ainda um longo percurso a percorrer até à normalidade mas não há dúvidas também que Santa Isabel é venerada não só em Coimbra mas em todo o país e em todo o mundo. A nível mundial, Costa e Nora destaca não só Espanha e Saragoça, pelos laços de nascimento e união, mas também os Estados Unidos da América (EUA) e o Brasil como dois dos países onde existem muito devotos. Recorda que houve uma comunidade dos EUA que ofereceu o vitral que se encontra na Igreja da Rainha Santa, na zona por cima do altar. Quanto ao Brasil, diz que são muitos os contactos a pedirem “relíquias da Rainha Santa”.

Uma “mão protetora” sobre a cidade

Em Coimbra é “palpável” esta ligação profunda que a cidade tem com a sua padroeira, uma devoção que atravessa todas as gerações e estratos sociais. Um amor difícil de explicar, como tantos o são e como foi também o amor que Isabel de Aragão teve por esta cidade.

Costa e Nora recorda que este afeto não é exclusivo da Igreja, tendo havido sempre uma ligação forte com a cidade, com as forças políticas e com as autoridades eclesiásticas. Diz que “é indiscutível que Santa Isabel tinha um amor devocional muito grande a Coimbra” mas não tem também dúvidas que a cidade sempre “correspondeu a esse amor”.

Esta “mística” é difícil de explicar? No seu entender, não. Deve-se “aos princípios que defendeu, à vida exemplar que teve, à sua misericórdia, ao profundo amor pelos pobres e à forma como sempre fomentou a paz”, algumas das caraterísticas que a colocaram neste “patamar de religiosidade” e que fizeram com que “granjeasse sempre um grande respeito e devoção de todos”.

Costa e Nora lembra que “o povo a aceitou, desde logo, como Santa”, uma devoção e aceitação reconhecidas por vários reis, como D. Manuel, D. João III e até os Filipes que, de diversas formas, a homenagearam, tendo sido mesmo proclamada pelos Filipes, que governaram Espanha e Portugal, como padroeira de Portugal. “A própria diocese, apesar de ter Santo Agostinho como padroeiro principal, manteve Santa Isabel como padroeira”, frisa. O mesmo sucedeu com a vereação de Coimbra, depois do terramoto de 1755, com a cidade a atribuir à “mão protetora” da sua Santa o facto de ter sido poupada daquele terramoto que devastou Lisboa. Esta devoção estendeu-se também à Universidade. Costa e Nora recorda que o Marquês de Pombal “reforçou que se devia manter o culto e impôs que os lenços da Universidade se fizessem incorporar nas procissões”.

Santa Isabel, falecida a 4 de julho de 1336, é a padroeira de Coimbra mas é também, indiscutivelmente, uma das principais rainhas de Portugal. É assim que a descreve a História e, essa, jamais será mudada. Mas, provavelmente mais importante do que esse “título”, é toda esta mística que continua a envolver Isabel de Aragão, mesmo 685 anos após a sua morte.


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