11 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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Martinho

“QUIM PESCADOR”, BONDADE E VIRTUDE QUE IRROMPEM ESPONTANEAMENTE- II

24 de Abril 2025

Estupefacto com a cobardia dos meliantes, logo veio a saber que o seu improvisado guarda-costas era afinal o campeão Nacional de Pugilismo da África do Sul. Pudera!

Depois dum interregno para férias, voltou para cumprir mais um ano de contrato, findo o qual regressou definitivamente a Portugal. Continuou na pesca por conta de um armador da Figueira da Foz, tendo acostado a quase todos os portos do nosso país. Vulgo, como nem tudo são rosas, e porque a natureza errante da sua profissão e os constantes perigos que enfrentava durante a faina, num mar quase sempre encapelado, o iam desfalecendo até à exaustão, sem condições físicas para continuar naquelas lides, apesar dos seus ainda 50 anos de idade, viu-se constrangido a requerer a reforma (antecipada) e a regressar, definitivamente, a casa, na Costa de Lavos, onde vive e apoia a sua irmã doente e carecida de assistência médica regular.

Mas esses constrangimentos em nada abalaram a sua postura, mantendo-se como dantes no seu ambiente, onde continua a ser tratado com a mesma convivência e simpatia, que ele espontaneamente retribui, com a humildade e sinceridade que o caraterizam, inclusive, tentando antecipar-se sempre no pagamento das despesas efetuadas, merecendo, também por isso, o apreço dos que o rodeiam, num ambiente de harmonia, que perdura e não esmorece por quaisquer eventualidades.

E não se tendo vacinado contra o imaginário vírus da pesca, nela consome o seu tempo de lazer e, munindo-se da rede de malhar, lá vai capturando aqueles vertebrados aquáticos, cujo produto destina aos seus gastos domésticos, a partilhar com os amigos e anónimos carenciados, em jeito de realização pessoal e solidária, com o que muito se conforta.

E nessa paixão que o retém, regularmente, à beira-mar, avistou no mar, à distância de cerca de 100 metros, um suposto banhista de braços no ar, em grande aflição, a afogar-se, e teve a audácia de, num indiscutível ato de heroísmo, sem mais, atirar-se ao mar e foi buscá-lo, trouxe-o com grande esforço para a praia, prestou-lhe de imediato os primeiros socorros, salvando-lhe a vida. Os nadadores-salvadores, que se mantinham na conversa, nem sequer se aperceberam do naufrágio!

A banalidade de definirmos a condição humana como símbolo da imperfeição, do erro e da tentação, a nosso ver, em nada belisca as qualidades que reconhecemos ao nosso eleito que, não sendo um deus qualquer ou sequer um santo, é humano e, como tal, cometeu na adolescência alguns insignificantes atos desviantes, tais como ele e a sua “trupe” terem resolvido fazer uma malandrice ao pároco da freguesia:


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