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Martinho

“QUIM PESCADOR”, BONDADE E VIRTUDE QUE IRROMPEM ESPONTANEAMENTE – I

17 de Abril 2025

        Resolvemos biografar o simples “Quim”, no vigor e dignidade da sua sexagenária idade, por nos ter assaz impressionado, pela sua educação, grandeza de caráter, de humildade e de solidariedade para com os outros, granjeadas e patenteadas ao longo de vários convívios, no seio da comunidade onde se insere.

Convictos de que o sr. Joaquim Manuel Santos Abreu nos perdoará qualquer gaffe, decidimos revelar alguns trechos do seu percurso existencial. Conhecido pelo carinhoso cognome de “Quim Pescador”, na abrangência da sua região, nasceu há 68 anos, em S. Julião, Figueira da Foz e, com 1 ano e meio de idade, foi viver para casa dos avós, na Costa de Lavos. Lá fez o primeiro ciclo do ensino básico, após o que se matriculou no ciclo preparatório, na Figueira da Foz. Concluído este e quando já evoluía, a passos largos, no 1º ano do liceu, recebeu, de chofre, a trágica notícia de que a sua enamorada e colega de carteira, assim como os pais dela, tinham sido atropelados mortalmente na via pública, provocando-lhe um gravíssimo trauma que o afetou psicologicamente e o fez repensar no seu futuro.

E como uma desgraça nunca vem só, como diz o povo, já numa fase de recuperação emocional, que lhe proporcionou sentir uma forte atração por uma outra colega, correspondido ostensiva e reciprocamente por ela, a ponto de ficarem noivos quando, de súbito, recebeu a notícia de que lhe foi diagnosticada uma doença, dita prolongada, mas que a atingiu mortalmente em poucos dias.

Quando o destino assim quer – ou sem ele – aqueles dois sucessivos infortúnios marcaram indelevelmente o ponto nevrálgico do seu futuro: desde logo o abandono definitivo dos estudos. Revelou-se, sem dúvida, neste ato o primeiro sinal da sua sensibilidade e de amor ao próximo, o que o fez deixar para trás tudo aquilo com que tinha sonhado e seguir um rumo incerto, sem esperança.

Para tentar vencer essa abulia sistematizada, experimentou várias profissões, mas sentindo-se irrealizado, foi no encalço do seu pai e decidiu-se pela pesca marítima, com o qual rumou até ao porto da cidade de Cape Town, na Africa do Sul, onde acostou durante seis meses e teve o ensejo de contactar com gente de raças e costumes diversos. Com a sua inata bonomia conquistava simpatia e respeito pelo agradável ambiente que proporcionava a quem, a propósito de nada, com ele entabulava conversação.

Exemplo disso, numa conjuntura que o envolveu pessoalmente, enquanto permanecia naquele porto, na sua atividade piscatória, ao dirigir-se ao centro da cidade foi abordado por uns vadios, para o assaltarem, mas eis que surgiu inusitado, em seu socorro, o amigo Sanção, um calmeirão, duma possante envergadura, cuja aproximação logo os pôs a darem aos calcanhares, enquanto era tempo.

 


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