(prosa-verso)
Caminhamos num mundo de vazios e guerras.
De novos e velhos percursos de solidão,
Adormecidos p´la IA e pelas redes sociais.
Já pouco se conversa ao longo das refeições,
Deixando paralisados afectos e corações.
Criámos um mundo de vulneráveis mentiras,
De escassez de compreensão e de falta de tolerância.
O que importa é o parecer, andar trajado na moda,
Vestir-se e deixar por dentro o quase nada.
Tudo é efémero.
Quem manobra o poder assim o deseja,
Para afastar os indivíduos das grandes decisões,
Com finalidades bem definidas,
Que tornam os pobres cada vez mais pobres,
E os ricos cada vez mais ricos.
Tantos demónios que vestem os que mandam e controlam,
Tanta falta de pensamento, sentido de noção e acção,
Preconceitos demais nesta escala do tempo,
Que passa rápido e fugidio,
Somos defuntos, às vezes penso que não há vivos,
Por superior instrumentalização.
Tudo improvável,
É esta a razão, é esta a realidade quando já não há razão.