26 de Junho de 2022 | Coimbra
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“Queremos levar Coimbra aos quatro cantos do mundo!”

20 de Maio 2022

Os Santos Populares estão de regresso, após dois anos de interregno devido à pandemia, e com eles trazem as marchas populares tão acarinhadas pelo povo português e pelos cidadãos conimbricenses.

A Marcha de Celas e de Santo António dos Olivais, parte integrante da Associação Recreativa Cultural do Bairro de Celas e Santo António dos Olivais, vai levar Coimbra e a sua tradição marchante a Salvaterra de Magos, sendo a abertura do cortejo popular da região.

“Fazermos parte do cortejo de Salvaterra de Magos é para nós a concretização de um sonho, pois nós queremos ir mais longe e esperamos que esta seja a primeira de muitas”, esclarece-nos Paula Correia, presidente das Marchas do Bairro de Celas e Santo António dos Olivais.

Principais objetivos

“O nosso principal objetivo é levar o nosso trabalho além Coimbra. Apesar de já termos conseguido Salvaterra de Magos, queremos ir mais longe, não falo em Lisboa, porque não temos pares suficientes, mas outras localidades”, realça a presidente, destacando que pretende “dar a conhecer Coimbra através do trabalho das marchas populares”.

A criação deste projeto já tinha sido pensada há uns anos, contudo foi num ato de brincadeira que decidiram dar continuidade a uma tradição que já tinha sido perdida pelos antepassados.

“O amor à tradição e a ambição de querermos sentir o que os nossos pais e avós sentiam fez com que quiséssemos renascer esta parte cultural do Bairro de Celas”, confessa ao Despertar.

Apesar da contínua participação no Carnaval no Bairro Norton de Matos, a marcha só foi efetivamente criada nos trâmites atuais no ano de 2009, em que Paula Correia confessa ter sido “o ano de viragem e a embarcação num sonho que há muito tinham”.

 

 Marcha do Bairro de Celas e Santo António dos Olivais

A Marcha, no seu primeiro ano, era composta, essencialmente, por séniores que estavam na Junta de Freguesia, como o caso da D. Isabel Correia e a D. Milu, que foram as principais responsáveis pela sua criação.

“Começamos com meia dúzia de pessoas e fomos alastrando à comunidade, que foi aderindo e agora temos desde os mais pequeninos, de quatro anos, aos mais idosos com cerca de 80, mas com uma presença de jovens bastante demarcada”, refere Paula Correia.

Neste momento, o número de marchantes ronda os 45, incluindo os músicos, que fazem parte desta equipa, sendo que 28 são mulheres e 17 são homens.

Os ensaios são realizados apenas uma vez por semana quando não há nenhuma festividade por perto. Quando há alguma “saída” marcada ensaiam duas vezes por semana.

 

Gestão da Marcha popular

A gestão de um grupo de pessoas que “pode levar Coimbra a várias regiões do país pode ser complexa no que toca a financiamento e angariação de fundos para a realização dos eventos, na composição dos fatos e até mesmo as canções”, explica a presidente.

Paula Correia confessa ao Despertar que “os comerciantes não apoiam este tipo de iniciativas com a desculpa que já ajudaram na Queima das Fitas e tornam, dessa forma, a cidade mais estudantil. Não dão valor às tradições e torna-se mais difícil a nossa gestão”.

As despesas associadas à marcha prendem-se na aquisição dos fatos e nas músicas, que neste caso em particular “são temas originais, compostos pelo nosso ensaiador e o nosso músico, e não readaptados dos que são cantados em Lisboa”, frisa.

Sensação de ser marchante

 Apesar de todas as dificuldades que tenha de encarar, “ser marchante não se explica, sente-se”, refere.

“Não me esqueço da sensação de quando fizemos o nosso primeiro espetáculo. Éramos um grupo muito pequenino, mas a nossa saída foi a medo, nunca tínhamos feito nada, mas depois da atuação foi a sensação de dever cumprido, não tem explicação, foi reviver o que os nossos pais e avós sentiam”, confessa, emocionada, Paula Correia.

O nervosismo é algo que está presente em todas as saídas, segundo a presidente, mas “as amizades e tudo o que vão criando com a marcha é um orgulho e uma felicidade extrema”.

“Não quero deixar de agradecer a esta família maravilhosa, à direção da nossa associação (ARCM Bairro de Celas e Olivais), aos marchantes, ao Cavalinho, aos Sons do Mondego e ao nosso ensaiador, pelo belíssimo trabalho que têm feito e por nos darem a oportunidade de darmos continuidade ao que nos faz feliz”, finaliza a presidente.

 


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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