27 de Outubro de 2021 | Coimbra
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VASCO FRANCISCO

Quando para o Homem para pensar?

9 de Novembro 2018

Preocupam-me a alma os problemas do mundo, aqueles que verdadeiramente me tocam num fulgor mais aflito e iminente. Por vezes me ponho a pensar o que será o amanhã destas paisagens, destas serranias protagonistas de uma natureza única. Custa-me julgar o futuro destes recantos de um Interior cada vez mais desprezado, de uma natureza natural e social cada vez mais ofendida.

Estendendo esta reflexão, que por vezes me atormenta, é impossível ignorar que estamos perante um problema global, levando-me a temer o amanhã do mundo, esta esfera terrestre onde o Homem nada manda e nada pode, perante uma natureza cada vez mais forte e vingativa das atitudes constantes da humanidade.

Quanto me é aprazível a bucólica dos verões quentes, as noites de chuva tocada por um vento assobiante, alumiadas pelos raios que tremem os penedos num ambiente misterioso. Quanto me sabe bem a harmonia primaveril, o canto das águas gélidas no inverno, mas se pensar em tudo isto num modo quase sobrenatural? A realidade é essa, começamos neste século a assistir mais do que nunca à resposta de uma natureza cansada e esgotada. Nos últimos dois anos ninguém ficou indiferente às ameaças constantes, que resultantes de vários fenómenos climáticos se traduzem em catástrofes destrutivas e mortais. Relembrando os meses de outubro logo relacionamos a força do fogo e a do vento. Além destes elementos o país vai-se surpreendendo aos poucos com o tremer da terra. Não estão a sacudir os tapetes em “Arraiolos”, ou as ondas estão fortes em “Peniche”, não brincamos com a ignorância, pois tudo isto é cada vez mais sério. As alterações climáticas estão aos olhos de todos, não faltando debates, cimeiras, investigações, não faltando as provas que a natureza nos tem dado.

Por muito que as novas gerações já estejam sensibilizadas perante este grande desafio, que lhes vai fazer parte das rotinas, o Homem tem de parar para pensar, nos crimes que cometeu e nos que continua a cometer. Não só de poluição falamos, muitas outras ações têm contribuído para esta mudança, uma mudança que aos poucos levará ao fim.

Tenho pena de nos últimos anos ter vivido estas respostas rudes, como os incêndios do passado ano e agora o furacão Leslie. Temo o que virá perante estes aspetos, para que nos temos de preparar, receando ainda mais o futuro das gerações vindouras, que sofrerão assiduamente com fenómenos climáticos e sociais.

Jamais acredito no fim do mundo numa data definida (2012, 2015, 2017), mas creio que culminará na desgraça a longo prazo, erradicando-se numa constante transformação. Em primeiro, vai acabando para os que morrem, nem esses sabem o dia nem a hora, e aos poucos se vai gradualmente destruindo pelas catástrofes climáticas, mas também pelas catástrofes sociais como a guerra. Ao escrever estas palavras, não pretendo invocar qualquer filosofia religiosa ou científica, refiro o que vejo e o que vivo, uma mera opinião de que nada é infinito. Está aos olhos de todos, aos meus e aos seus, basta entender a mudança. Uma realidade que me custa muito a crer e a vivenciar.

Quando a Natureza quer, não somos nada!


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