16 de Março de 2026 | Coimbra
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Projeto comunitário de Leiria já ajudou mais de 20 animais a regressarem a casa

20 de Fevereiro 2026

MAU TEMPO // A página comunitária “perdidos.tempestade.leiria” já encaminhou mais de 20 animais para as suas casas. O projeto tem como objetivo centralizar informação sobre animais perdidos e encontrados na região de Leiria, após a tempestade Kristin.

 

Até ao momento, já foi divulgada cerca de uma centena de animais. Mais de 30 continuam desaparecidos e mais de 20 conheceram o chamado “final feliz” ao regressarem a casa, para junto dos seus donos. A página de instagram “perdidos.tempestade.leiria” foi criada com o propósito de reunir informação relativa a animais desaparecidos ou encontrados depois da depressão Kristin e, desde então, todos os dias, chegam novos pedidos de ajuda.

“Estamos continuamente a crescer”, revela Catarina Duarte, fundadora do projeto, em declarações ao jornal “O Despertar”. A viver entre Leiria e Lisboa, a jovem foi uma das milhares de pessoas que lidaram de perto com o impacto da tempestade Kristin. Sem luz, rede ou internet, viu-se obrigada a deslocar-se até à capital para perceber o que é que estava acontecer no país e, sobretudo, na região Centro.

“Constatei que existiam muitos pedidos de ajuda de pessoas que, por conta do temporal, tinham perdido o seu animal. Vi isso em publicações do Facebook, grupos, e até através de associações que estavam a fazer muitas partilhas”, recorda. Confrontada com essa realidade, rapidamente se apercebeu da falta de uma plataforma que centralizasse informações sobre companheiros de quatro patas perdidos, encontrados e avistados após o mau tempo.

“Achei que tinha de haver um ponto de centralização para responder a essa necessidade, visto que já existia uma plataforma, – a SOS Leiria -, que, no fundo, também oferecia este serviço de pedidos de ajuda mas que, no entanto, não apresentava esta opção de apoio a quem procurava animais”, indica Catarina Duarte.

Após muita pesquisa, não perdeu tempo: pôs mãos-à-obra e criou a página de Instagram “perdidos.tempestade.leiria”, com o intuito de ajudar os leirienses a encontrar os seus companheiros de quatro patas. Nessa altura, estava ainda longe de imaginar que a plataforma iria crescer de tal forma que acabaria por abranger todo o distrito de Leiria.

 

“Isto começou a escalar”

Catarina Duarte é o rosto do projeto. Todavia, assim que as primeiras fotografias de animais desaparecidos começaram a ser publicadas, não teve mãos a medir. “Isto começou a escalar”, confessa, garantindo que o apoio saiu da cidade e se espalhou um pouco por todo o distrito. O crescimento rápido e significativo levou a iniciativa a chamar reforços, estando agora a ser gerida pela fundadora e mais dois voluntários.

“Dentro do distrito de Leiria estamos, dentro do possível, a publicar as fotos dos animais com a maior descrição que nos podem dar para que os consigamos encaminhar para os seus donos”, avança Catarina Duarte. O processo é simples e todos podem fazer a diferença através de uma simples partilha da publicação em causa. Quantas mais forem as partilhas, maior a probabilidade de o animal ser encontrado e/ou o seu tutor.

No caso de pessoas que perderam os seus animais após a tempestade, o contacto com o projeto pode ser realizado através de mensagem no Instagram. Basta enviar uma fotografia do animal em questão, acompanhada por informações pertinentes sobre o mesmo (localidade onde desapareceu, quando, se tinha coleira e chip, etc).

“Tentamos escrutinar o máximo de informações possíveis para, depois, já publicarmos com esses detalhes de uma forma muito estruturada. Todas as publicações seguem uma estrutura para que também seja fácil a consulta de quem esteja a ler”, afirma a responsável.

 

Comunidade sensibilizada

Além dos donos que procuram incessantemente os seus animais, há quem os encontre, por mero acaso, na rua. São muitos os que estão perdidos, desorientados e assustados após o temporal violento que invadiu a região. Nesses casos, Catarina Duarte aconselha as pessoas a “transmitir-lhes calma, abrigo e a protegê-los”. De seguida, assim que estejam num ambiente mais seguro, quem os encontou deve tentar perceber se têm chip.

“Recomendamos que vá a um veterinário e faça essa leitura, que é gratuita, e caso veja que o animal tem chip, consegue logo ter os contactos do dono. Já fizemos esse encaminhamento com muita gente e tivemos muitos casos de sucesso”, sublinha. No entanto, no caso dos animais que não têm chip, “publicamos a fotografia e tentamos chegar ao maior número de pessoas possível para ver se reconhecem o animal e, dessa forma, passar a palavra até conseguirmos chegar ao dono”, acrescenta.

Com base nos resultados que a iniciativa tem vindo a apresentar, a fundadora não tem dúvidas de que a comunidade está sensibilizada para esta causa. “Penso que o melhor que está a acontecer nesta fase tão crítica é a união das pessoas, a entreajuda, o estarem alerta para ajudar o próximo”,  destaca. Uma realidade que chega também à plataforma. “Nós temos sentido muito essa recetividade de pessoas que, constantemente, republicam as publicações e nos agradecem pelo trabalho que estamos a fazer. Estamos a sentir também muito esse apoio da comunidade”, orgulha-se.

Afirmando que os voluntários por detrás do “perdidos.tempestade.leiria” se sentem completos pelo “trabalho cívico” que estão a fazer, Catarina Duarte não descarta a possibilidade de manter esta iniciativa a longo prazo. “Já muita gente nos abordou com essa questão e nos deu força para que, depois, quando as coisas estabilizarem e ficarem mais calmas, possamos continuar o projeto”, confessa, admitindo que, para já, “somos uma task force para uma necessidade que está a acontecer. Mas, sim, no futuro, talvez possamos continuar”, remata.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 20/02/2026]


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