16 de Setembro de 2021 | Coimbra
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ORLANDO FERNANDES

Pontos de Vista: Um ano sem previsões

10 de Setembro 2021

Poucas vezes o nascimento de um novo ano será acompanhado de tantas incertezas e de tantas angústias mas, também, de tantas esperanças.

As incertezas têm a ver com a evolução da situação económica e social no mundo em geral, mas particularmente na Europa e, em especial, em Portugal.

A evolução da situação económica que, em boa parte, determina a situação social depende muito de uma sábia gestão de expectativas e, nesse aspeto, salvo ocorrências graves imprevisíveis o cenário para a evolução neste ano é moderadamente positivo.

O aparecimento finalmente da tão desejada vacina contra a covid-19, bem como a ultrapassagem definitiva dos obstáculos que ainda condicionam o plano de recuperação e resiliência ´construído´ pela União Europeia, vão permitir, se habitualmente usados, uma correta gestão de expectativas (otimismo) que é uma condição necessária e muitas vezes suficiente para uma sustentada recuperação.

Mas como sucede na maioria das coisas importantes da vida, o problema (ou seja a complexidade) está nos detalhes.

O detalhe no apoio financeiro é o caminho que ainda falta percorrer para que o processo esteja encerrado: a ratificação por mais de trinta parlamentos nacionais e regionais do acordo, a aprovação de dezenas de complexos regulamentos que darão vida a esta empreitada, a aceitação dos planos nacionais de recuperação de todos os países da UE e a montagem da operação de financiamento nos mercados que há-de permitir obter, progressivamente, os meios necessários para o plano, são as etapas que se seguem.

Por outro lado o apoio financeiro da União Europeia que, no caso português, atingirá 48,9 mil milhões de euros nos próximos sete anos (sem adicionar os empréstimos) e que, pelas razões apontadas, não chegará, provavelmente, antes do segundo semestre de 2021, virá associado a condicionalidades que, desta vez, não serão muitos fáceis de ludibriar.

Bom será que todos os beneficiários, especialmente os que ainda se encontram no fundo da escala do desenvolvimento, como infelizmente é o caso de Portugal, orientem as suas opções para projetos que promovam, a coesão interterritorial, o ambiente, o digital e a inclusão social.

No caso português como, regularmente, lembra o eurodeputado José Manuel Fernandes, especialista nos assuntos orçamentais, serão 19 milhões de euros por dia, entre 2021 e 2027, que obviamente terão de ser colocados, com eficiência, à disposição da economia portuguesa.

Não há lugar para falhar e, deste modo, a gestão das expectativas tem de ser acompanhada com trabalho válido, coerente socialmente reprodutivo, transparente e devidamente sindicado.

O aparecimento da vacina, que a ciência e a cooperação internacional colocaram à disposição dos cidadãos, em tempo recorde, é outro dos vetores que, se devidamente usado, permitirá através de uma adequada e informada gestão de expectativas (o que é diferente de propaganda fácil e demagogia) transformar 2021 num ano de legítimas e sustentadas esperanças.

Contudo, também neste domínio, os resultados concretos só deverão aparecer no segundo semestre, o que não deixa de ser uma coincidência com o ritmo da evolução do apoio financeiro da União, numa sinergia quase perfeita que, a acontecer, poderá ser o princípio do fim de uma época terrível para as pessoas e o regresso a uma normalidade (´Vida´ como lembra José Gil) sem a qual a existência humana não tem sentido.


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