A digitalização do acervo da Biblioteca Joanina, da Universidade de Coimbra, vai entrar numa nova fase de grande escala, prevendo-se que cerca de 30 mil livros centenários estejam disponíveis em formato digital até 2030.
Segundo o vice-reitor para a Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, o recente concurso público publicado em Diário da República marca a transição do projeto para uma “fase de digitalização massiva”. O procedimento, com um preço base de aproximadamente 1,3 milhões de euros e prazo de execução de 12 meses, visa acelerar significativamente o processo.
Lançado em fevereiro de 2024, o projeto Joanina Digital pretende digitalizar os cerca de 30 mil volumes do Piso Nobre da Biblioteca Joanina, criando um arquivo patrimonial com cerca de 18 milhões de páginas. A iniciativa resulta de uma parceria internacional e representa um investimento global de oito milhões de euros.
Em outubro de 2025, foi apresentada a plataforma digital do projeto, onde foram divulgados os resultados do projeto-piloto. Entre os destaques esteve uma coleção dedicada ao Médio Oriente, considerada relevante para o estudo da presença portuguesa no Golfo e na Península Arábica.
Durante a fase piloto, foram definidos os processos técnicos e construída a arquitetura da plataforma, tendo sido digitalizadas cerca de 160 mil páginas e catalogados mais de três mil volumes. Este trabalho preparatório permitiu estabelecer as bases para a disponibilização progressiva de novos conteúdos.
De acordo com a Universidade de Coimbra, o projeto ultrapassa a simples conversão de livros para formato digital. Trata-se de um esforço estruturado para valorizar um acervo único, promovendo simultaneamente o cruzamento de memórias culturais e incentivando novas formas de colaboração científica e académica.
A plataforma, desenvolvida por uma unidade tecnológica associada à universidade, permitirá o acesso a imagens em alta qualidade e a texto pesquisável, seguindo princípios de ciência aberta e interoperabilidade. Está também prevista a integração das coleções na rede europeia Europeana.
O acesso ao acervo será gratuito, abrangendo obras que vão desde os primórdios da tipografia até ao final do século XVIII, incluindo cartografia e outros documentos históricos. A plataforma incorpora ainda ferramentas inovadoras baseadas em inteligência artificial, permitindo novas abordagens de leitura, análise e exploração de dados.