(Prosa-Verso)
Aqui estou Rainha,
Vim visitar-te à tua casa,
Altaneira, com vista para Coimbra;
O teu rio Mondego que daqui bem se vê,
Rainha.
Vim ouvir o teu silêncio,
Vim remirar o teu rosto sereno,
A postura de humildade,
As tuas rosas das quais não caem pétalas,
E continuam viçosas.
Sabes Rainha,
Estou um pouco desamparado,
Porque minha vida tardia está cheia de escolhos;
Vim aqui para te ver sorrir,
Porque tu sabes sorrir quando olho para ti,
Quando converso baixinho contigo;
Agora estou em silêncio olhando-te,
Estou a sentir por dentro novo alento.
P´rás forças de que preciso,
Em vez de me dares pão,
Rainha,
Dá-me alento para continuar,
Sem vacilar.
Sentiste-me desconsolado
E deste-me uma rosa,
Rainha,
Desfolho uma pétala,
E sinto que por cada pétala,
Tenho mais um ano de vida.
Hoje, Voltei cá Outra Vez…
(verso)
Hoje voltei cá, p´ra outra vez te ver,
Da outra vez ficou algo por dizer;
Encontro o teu sorriso mais recolhido,
P´las mãos de Teixeira Lopes esculpido.
Hoje não me acenaste com a cabeça,
Rainha.
Continuas com o manto real bem cruzado,
Rosto triste, pouco animado.
Apesar de tudo não me cansas,
Tens muitos pobres e guerras p´ra apaziguar,
Tens virtudes para os obrigar a parar,
Lucidez para acabar com elas duma vez;
Rainha, por isso, aqui vim, aqui estou.
Para te dizer que contigo sou.
Não às guerras, não ás guerras,
Rainha minha.