29 de Junho de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

P´la Primeira vez  

29 de Junho 2026

(Prosa-Verso)

 

Aqui estou Rainha,

Vim visitar-te à tua casa,

Altaneira, com vista para Coimbra;

O teu rio Mondego que daqui bem se vê,

Rainha.

Vim ouvir o teu silêncio,

Vim remirar o teu rosto sereno,

A postura de humildade,

As tuas rosas das quais não caem pétalas,

E continuam viçosas.

Sabes Rainha,

Estou um pouco desamparado,

Porque minha vida tardia está cheia de escolhos;

Vim aqui para te ver sorrir,

Porque tu sabes sorrir quando olho para ti,

Quando converso baixinho contigo;

Agora estou em silêncio olhando-te,

Estou a sentir por dentro novo alento.

P´rás forças de que preciso,

Em vez de me dares pão,

Rainha,

Dá-me alento para continuar,

Sem vacilar.

Sentiste-me desconsolado

E deste-me uma rosa,

Rainha,

Desfolho uma pétala,

E sinto que por cada pétala,

Tenho mais um ano de vida.

 

Hoje, Voltei cá Outra Vez…

(verso)

Hoje voltei cá, p´ra outra vez te ver,

Da outra vez ficou algo por dizer;

Encontro o teu sorriso mais recolhido,

P´las mãos de Teixeira Lopes esculpido.

Hoje não me acenaste com a cabeça,

Rainha.

Continuas com o manto real bem cruzado,

Rosto triste, pouco animado.

Apesar de tudo não me cansas,

Tens muitos pobres e guerras p´ra apaziguar,

Tens virtudes para os obrigar a parar,

Lucidez para acabar com elas duma vez;

Rainha, por isso, aqui vim, aqui estou.

Para te dizer que contigo sou.

Não às guerras, não ás guerras,

Rainha minha.


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