Perdoai-me, Senhor, p’ lo que escrevi
Sobre Vós, sobre o Mundo que criastes,
Mas nem por um momento reparastes
Que no meu ímpio ser só em Vós cri?
As penas e alegrias que vivi
Desvendaram-me tarde que me amastes
E se cravar mais ‘spinhos me deixastes
Vede, Deus, que ora já me arrependi.
As minhas armas todas Vos deponho:
Quero perder a guerra – quero o sonho
De adormecer ao Vosso colo a dor.
Deixai, Deus, que ao partir Vos chame “Pai”
E o meu engenho escreva: “Perdoai,
Mas tudo quanto fiz foi por amor!”