Inspirada nos mistérios e viagens do início do século XX, a escape room [sala de fuga] “Os Viajantes” desafia equipas a decifrar enigmas, revelar identidades ocultas e tomar decisões estratégicas dentro de um determinado período de tempo. Desenvolvida pela empresa Wildlife, em Penacova, a atividade inspira-se nas tradicionais salas de fuga, no entanto, sob um conceito diferenciador: é 100% móvel, o que permite que seja realizada em qualquer ponto do país.
“O facto de conseguirmos transportar esta escape room torna muito mais fácil dinamizar a atividade para grupos pequenos e grandes. Conseguimos chegar a 300 pessoas, por exemplo, e criar esta dinâmica de toda a gente a jogar em simultâneo, o que numa escape room fechada é muito invulgar, porque tem uma lotação máxima muito baixa”, expõe Marcelo Baptista, diretor executivo da Wildlife, em declarações ao “O Despertar”.
Mais do que um jogo, “Os Viajantes” é um exercício de liderança e colaboração, concebido a pensar nas empresas e em grandes grupos. “O tema em si está mais direcionado para um público corporate (…) mas qualquer faixa etária se consegue enquadrar nesta atividade. Desde festas de aniversário a escolas e grupos de amigos… Esta experiência está disponível para toda a gente; para todos os setores”, explica.
Flexibilidade é uma das mais-valias
Como todas as escape rooms, também esta conta uma história que esconde vários desafios: em 1920, um avião despenhou-se e, agora, os jogadores são convidados a identificar cada um dos passageiros através das suas bagagens. “Cada equipa recebe três bagagens e tem que mexer nos pertences do passageiro até identificar quem era, o que é que fazia, de onde é que vinha, qual é que era o destino. Todas essas informações são importantes”, conta Marcelo Baptista.
Para serem bem sucedidos, os participantes precisam de estar atentos a todos os detalhes e decifrar vários enigmas. O trabalho em equipa é fundamental e, nesse sentido, a diferença de idades dos jogadores pode ser uma mais-valia. “Todos os pertences das bagagens são de 1920, ou seja, muito antigos. Às vezes temos empresas com equipas dos 20 aos 60 anos, e temos jovens a mexer nas coisas sem saber o que são aqueles objetos. Nesse momento, os mais velhos explicam e ajudam. E, logo aí, há uma partilha cultural interessante”, revela.
A par desta troca de conhecimentos, esta sala de fuga móvel desenvolve ainda competências de liderança e comunicação. “Isto faz com que toda a gente se sinta uma mais-valia para a equipa (…) As pessoas chegam ao final satisfeitas, realizadas, e acima de tudo, mais unidas, que é o que se pretende”, sublinha ainda o responsável.
Tudo isto é possível graças à flexibilidade da experiência. Destacando-se por ser deslocável, personalizável e por poder ser realizada dentro de espaços ou ao ar livre, este jogo consegue chegar onde a maior parte das escape rooms tradicionais não conseguem. “Uma empresa que tenha 100 ou 200 colaboradores, não vai deslocar essas pessoas todas ao local de uma atividade. Portanto, o facto de conseguirmos ir ao encontro da empresa vai facilitar muito a dinâmica”, garante Marcelo Baptista.
Para além disso, com esta iniciativa, a Wildlife consegue atuar em todo o distrito de Coimbra, mas não só. “Fazemos Portugal inteiro”, refere o diretor executivo. Assim, apesar de “Os Viajantes” ter uma história e um jogo padrozinado, o que vai acontecer em cada atividade pode ser adaptado a cada empresa, grupo, espaço e número de jogadores.
Atividade combate o isolamento
De acordo com Marcelo Baptista, “as empresas têm procurado, cada vez mais, team buildings”, sobretudo, com o objetivo de tirar os trabalhadores do escritório e promover o convívio entre pares fora do local de trabalho. As escape room tornam-se, assim, uma escolha segura, visto que incentivam as pessoas “a comunicar e a demonstrar as suas competências umas às outras”.
Em “Os Viajantes”, um dos focos que é trabalhado é a cooperação dentro da equipa. Os jogadores têm de conversar entre si para chegar a bom porto neste jogo dentro da duração estipulada, que pode variar consoante as necessidades da empresa. Terminado o tempo, – e caso a atividade não tenha sido concluída -, “por norma, facultamos uma ajuda para ninguém ficar para trás”, confessa o responsável. Isto porque, mais do que ganhar ou perder, o importante é que as pessoas saiam do jogo “realizadas e felizes”.
Desde que “Os Viajantes” andam a percorrer o país, é isso que tem acontecido. O feedback não podia ser mais positivo, nomeadamente, por parte de empresas com um elevado número de colaboradores. “Dizem que é muito fácil de incorporar esta experiência”, salienta Marcelo Baptista, adiantando que “nós trabalhamos com muitas empresas que revendem os nossos serviços, e esta atividade tem sido vista com bons olhos. É, realmente, fácil de incorporar em qualquer teambuilding”.
Todavia, esse não é o único motivo do sucesso. Ao contrário do que acontece com as salas de fuga em que, desvendados os enigmas, a experiência não dá para ser repetida, neste caso, os participantes podem voltar a jogar as vezes que quiserem, já que a atividade pode ser facilmente alterada e adaptada. “A necessidade de dar resposta, de ter sempre um produto diferente, é importante”, frisa o responsável.
Desta forma, e com a procura cada vez mais crescente pelas escape room, o diretor executivo da Wildlife não tem dúvidas de que o futuro passa por mais experiências diferenciadoras e pioneiras. “Não só dar respostas às necessidades de quem procura, mas também dar respostas inovadoras, flexíveis, com bons orçamentos e boas margens. É esse o grande desafio no setor e o que, ao mesmo tempo, nos mantém na liderança do mercado”, conclui.
Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 12/06/2026]