Prosa-Verso
I
Nunca me afasto na Páscoa, p´ra visitar os meus mortos,
Naquela bonita aldeia beirã.
Este ano decidi ir até lá, e voltar para cá,
Percorrendo os quilómetros que distam de mim, entre o cá e o lá,
Cavalgando nas memórias e histórias que com eles vivi;
Parte integrante da minha vida.
Aleluia.
II
Por isso, agarrei numa caneta, e lá vou eu a cavalo da escrita,
Por entre os rabiscos que a pena delineou.
Á chegada, p´la estrada sinuosa do aparo, já tinha escrito p´ra todos eles.
Aleluia.
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
III
“Os nossos mortos, não morrem,
Por isso vim de longe, p´rós visitar.
Caminham a meu lado,
Sempre juntos, de braço dado.
Comigo vão passear,
Sempre a conversar.
Cansados, pedem-me para os devolver ao chão,
Aonde para de bater o coração.
Levantai-vos, voltai à vida! Disse eu.
Aleluia, Aleluia, Aleluia.”