26 de Junho de 2022 | Coimbra
PUBLICIDADE

PANORAMA DO FUTEBOL NACIONAL PERDA DA IMPORTÂNCIA DESPORTIVA DA REGIÃO CENTRO

27 de Maio 2022

As duas principais agremiações desportivas da Cidade de Coimbra sofreram este ano um destino semelhante: a Associação Académica de Coimbra-OAF e o União 1919 não conseguiram os objetivos mínimos, tornando a descida inevitável a escalões inferiores, sendo no caso da “Briosa” ou dos “pardalitos do Mondego” um autêntico rombo nas aspirações, depois de uma época anterior auspiciosa, de ascender ao principal escalão futebolístico nacional, concretizando assim, o mais triste momento da sua já longa História, quando se cumpriram dez anos de um dos seus maiores feitos: a conquista da Taça de Portugal no ano de 2011/2012.

As causas deste declínio são múltiplas e decorrem de lideranças frágeis, equipas mal construídas e orientadas, perda de influência nos bastidores do futebol, ausência de um bairrismo mobilizador e união da massa associativa, bem como da incapacidade de envolver o tecido económico que não sendo de grande expressão, teria sido suficiente para assegurar os mínimos.

A situação, se analisada a uma escala territorial mais alargada, permite-nos concluir que estamos perante, também, um declínio generalizado dos clubes da região, a uma escala sem precedentes, começada há largos anos. Longe vão os tempos em que a AAC, Leiria, Beira-Mar, Viseu ou Covilhã, emergiam como faróis do futebol nacional. Para cúmulo, até o Tondela, que vinha sendo o heroico representante do rincão beirão acabou por descer, não obstante a presença na final da Taça de Portugal.

Quer isto dizer que o futebol português se polarizou ainda mais entre dois grandes núcleos: Porto e Lisboa, com exceção dos representantes das ilhas (Marítimo e Santa Clara) e do Portimonense. Em certa medida esta realidade mais não é do que a continuidade da já detetada perda de influência da Região Centro, a vários níveis (económico, social, político, cultural), sem fim à vista, qual beco sem saída, com emparedamento entre crescentes áreas metropolitanas dos polos assinalados.

Neste momento, e a nível desportivo, pouco importará a afirmação, antes a recuperação para um estado de pré-crise, que dará imenso trabalho aos timoneiros que se apresentarem a liderar as instituições sedeadas em Coimbra. Além do problema desportivo, terão ainda de superar os passivos, os compromissos estabelecidos, a adaptação a outra realidade desportiva, mais próxima dos distritais do que dos nacionais.

Creio que a mudança terá de ser radical. Projetos desportivos sólidos, investidores credíveis, mobilização dos ativos humanos de prestígio (que são muitos, felizmente), serão denominadores fundamentais, a meu ver, para a desejada inversão de rumo. Vai ser, realmente, precisa muita união, por um lado, e muito querer ser brioso, por outro. Caso contrário é o deserto que nos espera: longo, seco, e arenoso, ou seja – demasiadamente penoso.

Têm a palavra não só os conimbricenses, mas também os simpatizantes além Coimbra que queiram dar a volta ao marasmo previsível, com engenho e arte, não só às páginas de um texto tingido a negro e azul escuro, mas sobretudo, ao contexto profundamente adverso.

 

 


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D - Eiras 3020-430 Coimbra

Powered by DIGITAL RM