Por um princípio pelo qual me venho orientando há longos anos, tenho conseguido avaliar, com mais ou menos aproximação, o perfil, as tendências, os ideais e a volatilidade ou firmeza das opções das pessoas com quem me encontro nos caminhos da vida e, dessa súmula extraio quase sempre, um desconforto comigo mesmo, ao detetar-lhes cinismo, inverdades, falácias e outros males de quem, com altos cargos, tinha o dever de ser sincero, ainda que esse incómodo lhe pudesse causar danos no conceito social. É que a Honra é cara, vale mais do que todas as mordomias.
Chegou, portanto, a minha hora de, fazendo apelo àquele mínimo de coerência que me persegue, avaliar, desapaixonadamente, as infelizes e inverídicas declarações de Sua Exª. o Presidente da República (Democrática) de Angola ao jornalista que o entrevistou, com o desplante que extravasa a ética e a diplomacia que é devida a um pais dito amigo, que o ia receber com todas as honras e de braços abertos, declarando com ares de convicção falsa e em som inequívoco: “Em 50 anos, fizemos mais que o regime colonial em 500 anos”. Irra, que é demais…!
Sr. Presidente tenha a humildade e a coragem de se retratar da tão infeliz e falsa avaliação, que despudoradamente fez, pedindo desculpa ao povo do meu querido Portugal, já que os nossos governantes, ternurentos lhe batem palmas por tão “elevada e prestigiante declaração” sobre um país que tanto fez pelo seu e que o Snr. Presidente tanto menosprezou e nem sequer soube ou quis preservar a riqueza que aí foi deixada pelos (malvados) colonizadores.
(Cfr. Google, redes sociais e observações documentais)