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Martinho

OS PRÓS E OS CONTRAS DE UMA PSEUDO DESCOLONIZAÇÃO EXEMPLAR – parte 1

29 de Agosto 2025

Encurtando distâncias, até para evitar o cansaço dos leitores de, caso aconteça, lerem esta sintética versão de um passado histórico de má memória, passo aos factos pré e pós a autodeterminação das províncias ultramarinas, para uns – colónias portuguesas para outros – patrocinada por determinados países inimigos de Portugal, que iam impulsionando os terroristas para o triunfo.

Mas era mais que evidente que o apoio dado por esses países não era “pró bono pacis”, por que as intenções estavam pré-definidas – apoderarem-se e explorarem as riquezas do subsolo e, no caso de Angola, do café, do petróleo, dos diamantes, dos minérios de ferro, do algodão e das potencialidades de uma vasta e diversificada agricultura agrícola, a par da propagação da sua doutrina política que, de qualquer forma, lhes convinha expandir para um campo internacional mais amplo. “Desse modo, mataram dois coelhos com uma só cajadada”, isto é, saldaram, com vantagem, as despesas que fizeram com a manutenção das guerrilhas e, cumulativamente, obtiveram o desejado efeito doutrinário, sem contar com o sabor da vitória, alcançada pelos lacaios, eles sim, colonizados, pelos seus mentores.

Papalvos, os turras não se aperceberam da verdadeira finalidade do apoio perpetrado pelos sanguessugas, eludidos com o imaginário de um paraíso que lhes iria cair aos pés. Mas quando a situação se agravou com a aproximação do 25 de Abril, e a passividade das forças armadas portuguesas já se sentia em Angola, cujos comandos estavam apenas a cumprir, formalmente, as suas comissões de serviço, enquanto os capitães e os soldados ainda andavam a combater os terroristas. Tal como alguém, de inteligência rara, então profetizava, a autodeterminação dos povos das províncias ultramarinas portuguesas era um erro crasso, por extemporânea, nefasta e muito perigosa para os colonos, porque ainda não estavam politizados para assumirem a importante missão de se autodeterminarem, pois ficavam entregues às mãos dos exploradores, abandonados e arrastados para a miséria. “Só daí a uns cem anos se poderia pensar a sério na sua autodeterminação”.

E a profecia cumpriu-se, editando-se como que a sua “reimpressão atualizada”, na sequência dos acontecimentos transatos, que até já envolviam os contendores entre si, com o “polémico encontro de Spínola e Mobutu, em 18/9/74, apressando o apoio à Lei 7/74, aprovada pelo MFA – reconhecimento por Portugal do direito dos povos à autodeterminação, com todas as consequências, incluindo a aceitação da independência dos territórios ultramarinos”.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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