Os REIS INTRUSOS, os Filipes de Espanha, apresentam modestíssimos bustos no Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco, criado no século XVIII. Na visita que ali fiz, neste último verão, apreciei as grandes diferenças entre as estátuas normais ou com um tamanho bem amplo dos reis de Portugal e o tamanhinho dos reis Filipes de Espanha reduzidos a uma sólida pequenez, quase ínfimos. Estas esculturas são um exercício de portugalidade que, aliás, hoje se comemora, neste Feriado, Dia da Restauração, o da nossa Independência. Mais do que milhões de páginas que sejam escritas acerca da época do domínio filipino valha-nos, por consolo e síntese, a visita ao Jardim de Castelo Branco. Viramos e virámos costas a Castela. Temos a Espanha aqui ao lado e, nos tempos atuais, cultivar o iberismo a que nos convidou, por exemplo, o nosso Miguel Torga, será um ato de bom senso ou de boa política fronteiriça, mas a nossa Independência é o nosso orgulho.
À MODA DE BUARCOS
No último sábado, a convite do meu companheiro da RDP/RTP, Carlos Campos (o dos conceituados programas Sesta de Sábado e Andarilho), integrei uma embaixada da LATA – Liga dos Amigos das Tabernas Antigas, grupo nado em Coimbra e dinamizado pelo saudoso Paulino Mota Tavares. Ali estiveram prestigiados participantes que admiro. Uma parte desta associação deslocou-se a Buarcos à sede dos famosos e dinâmicos CARAS DIREITAS para integrar um convívio que permitiu saborear uma excelente caldeirada (Caldeirada à moda de Buarcos e dos seus pescadores a qual recomendo) e um arroz doce que fica na nossa memória gustativa e da afetividade. UÁU! É isso mesmo. Convido os leitores de O DESPERTAR a irem a Buarcos às caldeiradas e ao arroz doce, pelo menos. O convívio de apoio à coletividade de Buarcos encheu o salão com muitos buarcosenses e figueirenses e teve, como epílogo, uma atuação de Mário Mata, o da canção Não há nada pra ninguém e do grupo musical Turma do Rock, do Cartaxo, e a atuação de João Charana ligado a este grupo e ainda umbilicalmente a Buarcos e que proporcionou uma tarde de inesquecíveis canções dos anos 50, 60 e 70. Se o João Charana nos entusiasmou com as velhas canções que deram volta ao mundo e nos envolvem com doce sentimentalidade que quase dói, registo a aplaudida sonoridade e classe da banda musical Turma do Rock e do seu cantor residente. Muitas vezes a estas personagens do nosso mundo musical mais caseiro falta-lhes, apenas, a mediatização ou a universalidade para se consagrarem porque o justificam. Em Portugal há dezenas ou centenas de empolgantes festivais com cantores e bandas, por norma com muitos estrangeiros, feericamente anunciados, talvez para consumo privilegiado pelo público juvenil. Por cá, intramuros, ao “virar da esquina” temos grupos muito bons só que raramente entram em festivais. Não sei se há exagero no que penso, mas hoje é dia de exercer… PORTUGALIDADE.
Sansão Coelho