Sempre gostei de passarinhos desde a minha tenra idade. O canto do rouxinol sempre me seduziu. Não admira que tenha sido descrito, por muitos outros, como um dos sons mais bonitos na natureza, sugerindo canções, contos de fadas, ópera, livros e uma enorme quantidade de poesia. Assim já fiz eu, escrevendo quatro poemas sobre este passarinho inspirador.
O canto é subido, com sibilos e trinados diferentes. O canto de um rouxinol adulto contém mais de duzentas e cinquenta variantes. Dizem os entendidos.
O rouxinol é um símbolo importante para poetas, acabando por assumir uma série de conotações simbólicas. Homero evoca o rouxinol na Odisseia, e tantos outros sábios da escrita, o utilizaram como uma figura, por causa da sua música criativa e aparentemente instintiva.
, Percy Bysshe Shelley escreveu no seu livro, Uma Defesa da Poesia:
“Um poeta é um rouxinol que se senta na escuridão e canta com doces sons para alegrar a sua própria solidão; os seus ouvintes são como homens encantados com a melodia de um músico invisível, que sentem que estão a ser movidos e suavizados, mas não sabem de onde ou porquê”. (com a devida vénia à Wikipédia).
Eis um dos meus versos:
Rouxinol
Vem, vem, amigo também,
Cantar comigo pr’além,
Do lugar onde me encontro.
Cantemos então, naquele ponto,
Combinado,
Baixinho e afinado:
– “Rola, rolinha,
Leva-me contigo,
P’ra longe;
Longe, longe, longe…
Onde cantam os rouxinóis,
Belas melodias de amor.”
Aí gorjeio, com eles a liberdade;
Liberdade!… Liberdade!… Em Dó,
A beleza da natureza… Em Sol.