9 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

O ROUXINOL

16 de Janeiro 2026

Sempre gostei de passarinhos desde a minha tenra idade. O canto do rouxinol sempre me seduziu. Não admira que tenha sido descrito, por muitos outros, como um dos sons mais bonitos na natureza, sugerindo canções, contos de fadas, ópera, livros e uma enorme quantidade de poesia. Assim já fiz eu, escrevendo quatro poemas sobre este passarinho inspirador.

O canto é subido, com sibilos e trinados diferentes. O canto de um rouxinol adulto contém mais de duzentas e cinquenta variantes. Dizem os entendidos.

O rouxinol é um símbolo importante para poetas, acabando por assumir uma série de conotações simbólicas. Homero evoca o rouxinol na Odisseia, e tantos outros sábios da escrita, o utilizaram como uma figura, por causa da sua música criativa e aparentemente instintiva.

,     Percy Bysshe Shelley escreveu no seu livro, Uma Defesa da Poesia:

“Um poeta é um rouxinol que se senta na escuridão e canta com doces sons para alegrar a sua própria solidão; os seus ouvintes são como homens encantados com a melodia de um músico invisível, que sentem que estão a ser movidos e suavizados, mas não sabem de onde ou porquê”. (com a devida vénia à Wikipédia).

 

Eis um dos meus versos:

Rouxinol

 

Vem, vem, amigo também,

Cantar comigo pr’além,

Do lugar onde me encontro.

Cantemos então, naquele ponto,

Combinado,

Baixinho e afinado:

“Rola, rolinha,

Leva-me contigo,

P’ra longe;

Longe, longe, longe…

Onde cantam os rouxinóis,

Belas melodias de amor.”

Aí gorjeio, com eles a liberdade;

Liberdade!… Liberdade!… Em Dó,

A beleza da natureza… Em Sol.

 

 


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