A definição de Belo, enquanto noção estética, constitui um problema filosófico do âmbito da Estética. Não há uma definição única e definitiva para o que seja o Belo. As respostas à questão sobre o Belo podem ser diferentes, conforme abordamos vários autores e nos situamos em dados e variegados contextos históricos. Ao longo da História da Filosofia, diferentes perspetivas atribuem a beleza à harmonia das formas, à estrutura organizada de um Todo ou à forma sensível como se apresenta algo. Contudo, estes enunciados não esgotam o conceito de belo.
No pensamento de Simon Blackburn, a Estética é o “estudo dos sentimentos, conceitos e juízos resultantes da nossa apreciação das artes ou classe mais geral de objetos considerados belos ou sublimes” (1997). Segundo Platão, filósofo grego da antiguidade clássica, a Ideia de Beleza existe num mundo inteligível das Ideias sendo que o belo sensível reproduz de modo vago a Ideia de Belo e os objetos materiais são belos na medida em que se assemelham, na sua aparência, à Forma ideal. Em Kant, no século XVIII, a Estética torna-se teoria do gosto. Este é uma faculdade que permite ajuizar se os objetos são belos ou não. O gosto ajuíza acerca da beleza de um objeto, com base nos sentimentos de prazer ou desprazer que a perceção desse objeto proporciona. De acordo com Kant, para distinguir se uma coisa/pessoa é bela ou não, não reportamos a representação ao objeto (um pôr do sol, por exemplo) ou pessoa, mas a um sujeito e ao seu sentimento de prazer ou à maneira como é afetado pela representação. Segundo ele, o gosto é a faculdade de ajuizar um objeto ou um modo da sua representação, pela satisfação ou desprazer, de uma maneira inteiramente desinteressada: chama-se Belo ao objeto dessa satisfação. O que está em causa na apreciação do Belo é o comprazimento que podemos ter, independentemente do interesse ou da utilidade que essa contemplação nos traz. No século XIX, com Hegel, a estética passa a valorizar o objeto artístico em detrimento do objeto natural, pois aquele é um produto do espírito humano que medeia, no mundo físico, a intervenção e presença de um Espírito Absoluto.
Em última análise, a beleza surge como resultado de uma apreciação subjetiva, sendo que não é um conceito definido e objetivo. O que é belo para uns não o é para outros ou “quem o feio ama, bonito lhe parece” (a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla – David Hume). Nas sociedades em que vivemos, em que predominam as aparências e em que a beleza está associada à manifestação corporal é ainda mais difícil definir beleza. A beleza interior – que os filósofos gregos, como Platão e Sócrates valorizaram, associando-a à beleza exterior e reafirmando a formulação, “O belo é bom” (o que é belo é bom e o que é bom depressa será também belo – Safo) – ou o caráter de uma pessoa deve também ser tido em conta para definir a pessoa Bela. Nas sociedades atuais predomina a valorização da beleza exterior, material e visível, que, no entanto, se esvai (a beleza é um bem frágil – Ovídio) com o passar dos anos, permanecendo indelével a beleza interior que atualmente se desvaloriza. Apesar de tudo, como referiu Fernando Pessoa, “Definir o belo é não o compreender”.