“O pcp saúda a eleição de Nicolás Maduro, como presidente da república bolivariana da Venezuela, bem como o conjunto das forças progressistas, democráticas e patrióticas venezuelanas que alcançaram mais uma vitória com esta derrotando o projeto reacionário, antidemocrático e de abdicação nacional”
Ao ler esta mensagem no WatsApp entrei em êxtase, mas logo despertei para a realidade. De facto, os constantes percalços políticos, com a ganância dos candidatos a gladiarem-se para a conquista do poder, a qualquer preço, afetaram o desenvolvimento do país, riquíssimo na produção agrícola, mineira e sobretudo na exploração petrolífera, mas que para a maior parte da população gera pobreza, criminalidade, emigração forçada, para gáudio das elites (o mata-borrão da riqueza do país…), com o aval e cumplicidade do poder executivo/ PR.
Sem mais delongas, concentremo-nos nas apologéticas “forças progressistas, democráticas e patrióticas ut supra”, materializadas na eleição, muito controversa, de Maduro em Maio de 2018, não reconhecida pela oposição e por grande parte da comunidade internacional. Atualmente, o país enfrenta uma crise socioeconómica e política grave, com hiperinflação, escassez de produtos básicos, alta criminalidade e censura da imprensa. Este o panorama que alicerçou e ditou a fraude no resultado do plebiscito de 28/7/2024, aliás obtido por decalque do anterior.
Na regime político português temos um partido que se outorga de antifascista, progressista, democrático, patriótico de esquerda, que combate o grande capital, o patronato sabotador que atenta contra os direitos e garantias dos trabalhadores, tal e qualmente o pc da venezuela que, face ao desplante do pcp, o censurou frontalmente, pela sua incongruente filosofia partidária, “pelo seu apoio incondicional à reeleição de Maduro, sem auscultar a forma fraudulenta das eleições!” “Vocês conhecem o nosso país melhor do que nós?”, disse o secretário-geral do pc da Venezuela (cfr.J. António Couto, in CM, de 23/8/2024). Foi uma tapona com luva preta e acúlea.
Eis o patente metamorfismo do pcp, numa retórica desvairada, rançosa e cassetista que, em jeito de cata-vento, tanto apregoa o comunismo como é apoiante indefetível dos ditadores, fascistas sanguinários, oligarcas e quejandos, onde enfileiram Maduro, Putin, Herdogan, etc
Assim se exorciza o pcp no seu pantanal até se exaurir, talvez a breve trecho, para júbilo dos verdadeiros democratas.