Para servir de análise comparativa, o projeto do caminho de ferro da linha do Norte obteve autorização para a sua construção em 30/8/1952, embora o contrato definitivo para a linha entre Santarém e o Porto só tivesse sido cumprido em 29/8/19574, mas a circulação no primeiro troço da linha ocorreu em 28/10/1956, entre Lisboa e o carregado e parte da linha de leste, que veio a integrar a linha do Norte.
Em 8/7/1963 a linha chegou a Estarreja; em 4/11/1877 foi inaugurada a portentosa ponte de D. Maria I, com uma altura muito considerável, construída em aço, que permitiu a ligação definitiva e contínua entre Lisboa e V. N. Gaia (Porto), numa extensão de 336 Km. Para esta grandiosa empresa foi necessário edificar mais de mil obras de arte, destacando-se pela sua complexa e talentosa construção a referida ponte, os dois túneis escavados na pedra granítica (à base de martelos, cinzeis, picaretas, carretas e pás, manobrados pela força dos operários), entre a estação de S. Bento (magnífica honra da cidade) e as Fontaínhas/estação de Campanhã, tudo isto no prazo de 25 anos, sem retroescavadoras, caterpillars, guindastes, empilhadoras, camiões, etc.
Indo agora ao cerne da questão, a que nos propusemos – O Metro Mondego – , a revelação do seu planeamento inicial, porque houve vários, ocorreu em meados da década de 90, cujo projeto sofreu várias vicissitudes (como é apanágio das obras públicas consignadas a partir de finais do último quartel do século anterior), em várias circunstâncias, com alterações radicais e longos períodos de paralisação, para afinal evoluírem de Metro Mondego para o atual sistema de Metrobus (Bus Rapid Transit – BRT), com perspetiva de entrada em funcionamento parcial prevista para entre 2025/2026
Aliás, já em 1989, se debatia o problema de segurança da travessia da cidade, para o já congeminado Metro Mondego, em virtude do serviço do Ramal ferroviário da Lousã estar isolado da rede ferroviária nacional (entre o Parque e a estação de Coimbra A, cuja solução encontrada era a construção de um túnel, o que permitiria retomar as ligações ferroviárias entre aqueles dois pontos da cidade), tendo o projeto sofrido várias alterações, em vista da implantação do Metro Mondego de Superfície.
As etapas de provação deste malfadado circuito, cujo embrião foi arquitetado, planeado e projetado na tela, “tais obras de Santa Engrácia” foram, a saber: de 1996/2009 – planeamento e mudança de rumo; de 2009/2010 – encerramento do Ramal da Lousã e início das obras. Refira-se que o serviço alternativo, durante 14 anos, custou 144M€; de 2011/2017 – “Era do Metrobus” e do deserto das obras; de 2017/2020 – reformulação para BRT (Metrobus); de 2020/2025 – retoma e novo atraso; 2026 – fase final e desafios, até quando!!!
Em termos de custos e de resvalo financeiro, só o projeto acumulou mais de 300M€, incluindo obras, estudos e alternativas, ao longo de mais de 30 anos (1989/2026), além de várias verbas já expendidas em 2010/2011, no montante de 135M€; nas demolições entre a Av. Aeminium e a Rua da Sofia gastaram (com a aquisição dos edifícios a demolir) 3.815M€ ???; a retoma do trabalho (após a pausa do projeto) no final de 2006, orçou em (um ano) 1.467 M€ ???; o valor do material circulante da primeira fase (suportado pela CP, IE e lançado pela REFER) rondou os 300M€.
Tudo isto para em novembro de 2011 o Ministério dos Assuntos Parlamentares afirmar, sem mais delongas, que o projeto do MM estava suspenso e que se encontrava a ser avaliada a extinção da sociedade que o geria. Que tal era o descalabro da sua gestão!!! Confessamos que ficámos, “grosso modo” com muitas dúvidas sobre o cálculo exato dos montantes apurados, de 5.896M€, mas o emaranhado era tanto que, em consciência, não o podemos confirmar.
Este desditoso empreendimento que, em concreto, já dura há cerca de 36 anos e sem termo objetivo à vista, foi a razão daquela nossa introdução para a sua confrontação com o estado calamitoso das nossas obras públicas que, dispondo de toda a tecnologia de ponta, comparada com a tosca, incipiente e manufaturada ferramenta, continua na mesma linha daquele Metrobus, ou seja: o novo aeroporto de Alcochete…; o aumento do aeroporto de Lisboa; a reconversão do IP3; a continuação da construção da A13; a da barragem de Girabolhos (já empecilhada pelos habituais ambientalistas); a do Hospital Oriental de Lisboa, etc. que dizemos “nem atam nem desatam”, mas que vai exaurindo avultados montantes por conta dos respetivos orçamentos (o caso do Metro Mondego que esgotou o saldo antes de se iniciarem, materialmente, as obras).
Já que se mantêm nestes degradantes e constantes impasses, os sucessivos governos e as respetivas administrações, num preito de homenagem a Fontes Pereira de Melo, deveriam fazer uma romagem à sua estátua, aí em Lisboa, penitenciando-se da incompetência, gestão danosa, descalabro e esbanjamento dos dinheiros públicos, (descerrando-lhe uma lápide de reconhecimento pelos seus grandiosos feitos), em detrimento da miséria que graça entre grande parte do povo português. É preciso pôr, definitivamente, cobro a esta luxação e partir para a alteração do atual regime político-democrático, substituindo o sistema eleitoral representativo, pelo de eleições diretas dos candidatos a deputados, para assim serem conhecidos por quem neles vota, erradicando, desde logo, o compadrio, as sinecuras, a corrupção e a incompetência, que é o que sobra neste maltratado jardim à beira mar plantado