9 de Outubro de 2026 | Coimbra
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Martinho

O MAL QUE SE ESCONDE ATRÁS DAS TELAS DA TV

9 de Outubro 2026

Lemos no Facebook de 21/8/2026, revisitada por Paulo Pinto, uma crítica mordaz e incisiva aos canais da TV, do dr. António Barreto, intitulada Papagaios não, chilreada de Periquitos sim! que, pela sua atualidade, transcrevemos:

““Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol. Os diretos excitantes, sem matéria de excitação, são a joia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um direto. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol mal disposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um direto, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em direto gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o direto, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só folgo para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo cientistas e artistas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no ativo, autarcas, deputados, o que for, incluíndo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respetivo. Arte? Um diretor-geral chega.

Repetem-se as cenas pungentes, com lágrimas de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em direto. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga. Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada das tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as leem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

A conceção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos “papagaios no seu melhor!”. Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão. Papagaios não, chilreada de periquitos sim!””.


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