Mais de cinco décadas depois de caminhos distintos terem marcado o futebol académico, a Académica – Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF) e a Académica – Secção de Futebol (AAC/SF) deram, a 1 de outubro, um novo passo de aproximação, através de um protocolo que coloca a formação das duas estruturas sob um modelo comum.
“Académica só há uma”, sublinhou o presidente da AAC/OAF, Joaquim Reis, considerando que o entendimento permite ultrapassar confrontos que, ao longo dos anos, causaram “danos no nome e na instituição Académica”.
O processo começou há cerca de um ano, com um projeto-piloto nos sub-15 e sub-16, entretanto alargado a toda a formação. Dos quatro aos 19 anos, os atletas passam a integrar um modelo comum, sob coordenação técnica da AAC/OAF e com acompanhamento do coordenador da AAC/SF.
Fica de fora, para já, apenas a equipa sénior da Secção de Futebol, cuja transformação em equipa satélite da formação profissional da OAF está prevista no protocolo e deverá avançar no final da época.
“Isto não termina aqui”, salientou Joaquim Reis, para quem o essencial passa por “voltarmos a caminhar juntos, como nunca deveríamos ter deixado de caminhar”.
Caminho comum na formação
Filipe Preces, responsável pela Secção de Futebol, considerou que o acordo ultrapassa “uma simples aproximação institucional” e procura “reparar uma anomalia histórica”.
“A união que hoje celebramos representa um reforço da identidade de ambas as instituições. Significa perceber que juntos somos incomparavelmente mais fortes”, sustentou.
O projeto concilia uma vertente orientada para o alto rendimento com outra destinada a democratizar a prática do futebol. “Os nossos atletas e os atletas da OAF serão os atletas da Académica”, afirmou Filipe Preces, garantindo que “não mais haverá dispensas”.
A aproximação já tinha ganho expressão através da Briosa Talent, projeto criado em conjunto pelas duas estruturas para aumentar a capacidade de integrar atletas e equipas na formação.
Por razões regulamentares, OAF e SF continuarão a competir com as atuais designações, procurando evitar equipas das duas estruturas nos mesmos escalões.
“A Académica fica mais forte”
O presidente da Associação de Futebol de Coimbra, Vítor Simões, considerou o protocolo mais do que uma parceria institucional e apontou para novas possibilidades de cooperação.
“Estamos perante um momento de muita consideração histórica”, afirmou, defendendo que o acordo permitirá potenciar sinergias e reforçar o ecossistema desportivo regional. “Com este protocolo, a Académica fica mais forte”, resumiu.
Também a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, classificou o acordo como um “passo gigante”, defendendo que cooperar não representa perda de identidade ou poder. “É exatamente o contrário”, vincou.
A autarca destacou a ligação entre formação e futebol sénior, a partilha de recursos e o reforço da marca Académica, considerando que uma imagem mais coesa poderá aumentar a capacidade de atrair investimento.
O Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, recordou a ligação “umbilical” de mais de um século entre Universidade e Académica e classificou aquele como “um dos melhores dias” da sua vida enquanto Reitor.
José Machado, presidente da Direção-Geral da AAC, falou num “momento histórico” e num “passo fundamental em direção à verdadeira e consumada união da Associação Académica de Coimbra”.