Todo o tributo é inesgotável para os grandes Mestres. Gravam os seus nomes nas diversas folhas da ciência, das humanidades, das artes, ficando para sempre na cultura e na sociedade a que pertencem e influenciam. Nem sempre reconhecidos com o devido esmero é constante e necessária a divulgação e a continuidade da obra, do trabalho, preservando-o e dando-lhe a utilidade intemporal.
Bem poderiam tocar cem guitarras, cem melodias para Carlos Paredes. Marco de toda uma geração coimbrã, já nascido entre cordas, depressa envolto de um “canto de embalar”. Cedo deixou as “escadas do quebra costas” e o “arco de almedina” em direção ao Tejo, sempre com a música popular e a Canção de Coimbra no coração e nas mãos que logo multiplicaram um sucesso quase instintivo.
De Coimbra a lágrima o acompanha para o mundo proclamando o seu Mondego entre inúmeras “variações”. Desde os seus “verdes anos” que há uma paixão que nasceu com ele, acompanhando-o entre “melodias” trinadas entre cordas e dedos sábios que lhe compõem a “dança” do destino.
Desde os momentos de “divertimento” aos momentos de “amargura”, tudo em Paredes foi único. “Canto(u) ao rio”, “canto(u) à(de) rua”, “canto(u) à(de) Primavera”, “canto(u) ao(de) amor”, no “desenho de uma melodia” abraçado á guitarra num constante “canto de trabalho”.
Em toda a “valsa” de uma vida, foi um dos nossos Maiores, nesse “movimento perpétuo” que entre “a montanha e a planície” ascendeu “asas sobre o mundo”. “Entre Coimbra e o Mondego” Carlos Paredes é um legado, uma “serenata” que ultrapassa gerações e o mundo de uma guitarra tão nossa, uma sonoridade que nasceu aqui.
“Nas asas da saudade” foi esta a cidade que lhe deu a “raiz” e aqui ou além será sempre pequeno “o discurso” para um Homem que reinventou a guitarra, alguém que a sobressaiu no país e no mundo com a “sede” de quem lhe quis “mudar de vida” incrementando a identidade com que este instrumento chegou aos nossos dias.
Cem palavras também não chegam, mas venham mais cem anos e que um dia o nome e o som de Paredes ainda permaneçam.