A Europa tem sofrido nas últimas décadas profundas transformações a nível geográfico, político, económico, cultural e linguístico, com a internacionalização das sociedades, a mundialização da economia, as mutações tecnológicas e a globalização planetária de múltiplas atividades. Essas transformações refletiram-se na vida dos cidadãos, no trabalho, nas relações entre os povos, nas instituições educativas. Com a abertura de fronteiras, cada cidadão e país, sem perderem a sua identidade própria, integram um novo espaço, europeizando-se. Notou-se um aumento do intercâmbio de línguas e culturas, transformando cada cidadão num ser multicultural e multilingue. Por isso e porque a educação constitui um domínio sensível a essas mudanças, os sistemas educativos, em cada país, tiveram de adaptar-se às novas realidades, renovando os seus currículos de ensino, reformulando objetivos e conteúdos, diversificando métodos e estratégias, selecionando materiais adequados, etc. É neste contexto que surge a necessidade do ensino precoce de uma língua estrangeira facto que se vai cada vez mais generalizando; embora com maior relevância mais nuns países do que noutros, nenhum país europeu é alheio a esta problemática. No primeiro ciclo do ensino básico, em Portugal, contempla-se já o ensino de uma língua estrangeira “viva”. Num grande número de países o ensino de uma língua estrangeira inicia-se aos seis anos de idade, ao mesmo tempo que a língua materna, nalguns, começa mesmo no jardim de infância. Tudo isto tem também e necessariamente, implicações ao nível da formação de professores – inicial e contínua- porque o professor europeu atual e do futuro, deve ser multilingue e multicultural: professores pouco esclarecidos, com formação didático-pedagógica desatualizada, pouco flexíveis à mudança, constituem forte obstáculo a todas as normativas que possam ser criadas e às reformulações que se possam fazer. Daí a necessidade de se definir com clareza, sensatez e conhecimento, o perfil do professor de hoje e de amanhã, integrando a escola na própria dinâmica evolutiva da vida dos povos. A educação bilingue, no contexto da construção de uma nova Europa, constitui-se hoje, não apenas como uma necessidade, mas também como uma obrigação, no sentido de formar os cidadãos, tornando-os autónomos e promovendo o seu desenvolvimento cognitivo, linguístico e social. Ser cidadão europeu não pode significar apenas viver numa comunidade centrada em interesses político-económicos, mas também viver numa sociedade cultural e linguisticamente alargada. Sendo irreversível o processo de multilinguismo e multiculturalismo que afeta hoje a Europa, os sistemas educativos têm sobre si uma responsabilidade cada vez maior, principalmente ao nível da formação dos professores do futuro. O número de programas e de países envolvidos espelha bem a pertinência atual deste tema como fator imprescindível na construção de uma Europa desenvolvida. A língua, a cultura, a abordagem intercultural e a necessidade de renovar currículos são assuntos que constituem a questão central de todos os programas educativos, mostrando uma preocupação comum a esses níveis, entre todos os parceiros comunitários.
Defendida por muitos investigadores, contestada por outros, a educação bilingue apresenta-se hoje como uma realidade que ninguém pode desconhecer ou ocultar; sendo irreversível o seu efeito, merece da parte dos responsáveis uma atenção redobrada, de forma a potenciar os seus efeitos ao nível das restantes aprendizagens e desenvolvimento das crianças e dos jovens.