19 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Susana Paixão

“O apoio entre mulheres é fundamental para promover a igualdade de género”

8 de Março 2024

O Dia Internacional das Mulheres, celebrado a 8 de março, é uma oportunidade para reconhecer as conquistas das mulheres e promover a igualdade de género nas diversas áreas. Contudo, e apesar do muito que se tem feito nos últimos anos, há ainda um longo caminho a percorrer.

O projeto “As mulheres o saneamento e Saúde Ambiental no Meio do Mundo”, de que tenho a honra de ser madrinha, dedica-se a apoiar mulheres no acesso a água potável.

No contexto da saúde ambiental, as mulheres enfrentam, muitas vezes, desafios específicos, como o escasso acesso a recursos naturais nomeadamente a água potável. No Brasil, a insegurança das mulheres na procura desse recurso, é um problema significativo, especialmente nas áreas rurais e em comunidades onde o acesso a este bem essencial é limitado. O risco à segurança pessoal das mulheres é elevado principalmente o risco de serem assediadas, agredidas ou até mesmo violadas, especialmente se necessitam de percorrer longas distâncias até fontes de água seguras.

A falta de acesso à água potável era um problema sério para muitas comunidades em Portugal antes de 1974. Muitas áreas rurais não tinham sistemas de abastecimento de água adequados, e as pessoas dependiam de fontes naturais, como poços, nascentes e rios, para obter água potável. Essas fontes nem sempre eram seguras, e a qualidade da água podia estar comprometida devido à contaminação por poluentes ou falta de tratamento adequado. Nas áreas urbanas, embora muitas cidades possuíssem sistemas de abastecimento de água, a qualidade e a disponibilidade nem sempre eram garantidas. O 25 de abril de 1974 trouxe mudanças significativas para Portugal, incluindo investimentos em infraestrutura e serviços básicos, como água potável e saneamento. Nas celebrações dos 50 anos do 25 de abril, Portugal tem cerca de 96% dos alojamentos com acesso a água potável, mas o mesmo não acontece no Brasil.

É, pois, importante garantir que as políticas e práticas de saneamento sejam sensíveis ao género, atendendo às necessidades específicas das mulheres e meninas. Projetos que visam envolver as mulheres no saneamento têm um papel crucial em promover a igualdade de género, melhorar a eficiência dos serviços de saneamento e garantir que as necessidades específicas das mulheres sejam atendidas. Ao abordar essas questões de maneira holística e colaborativa, podemos trabalhar para garantir que todas as mulheres tenham acesso seguro e equitativo à água potável, promovendo assim a saúde, a segurança e o bem-estar das comunidades como um todo.

Pioneiro no Amapá e no Brasil, o projeto “As mulheres o saneamento e Saúde Ambiental no Meio do Mundo”, consiste na execução da tecnologia Salt Z, patenteado pela Fundação Nacional do Ambiente do Brasil – FUNASA, que garante água potável às comunidades e em particular às mulheres das zonas mais remotas da Floresta Amazónica do Estado do Amapá.  É um projeto idealizado e liderado por uma mulher, Dr.ª Girlene Chucre, que foi iniciado em 2018, quando esta liderava a Superintendência da FUNASA naquele estado brasileiro.

Conhecer realidades diferentes das nossas é fundamental para desenvolvermos uma visão global e ampliarmos a nossa compreensão do mundo. Isso permite-nos apreciar a diversidade cultural, compreender os desafios enfrentados por diferentes comunidades e países e identificar oportunidades de colaboração e aprendizagem mútua.

O apoio entre mulheres é fundamental para promover a igualdade de género, fortalecer as comunidades e criar um mundo mais justo e inclusivo para todos. Ao reconhecer e valorizar as contribuições e experiências das mulheres, podemos construir sociedades mais resilientes e sustentáveis, onde todas as pessoas têm a oportunidade de prosperar e alcançar o seu pleno potencial.

Citando Maria de Lurdes Pintassilgo, no ano em que se celebram os 20 anos da sua morte, “O que me interessa é descobrir como as mulheres podem dar, de maneira original, uma contribuição para que vivamos uma História de dimensão humana e de dimensão global”. Este projeto é um bom exemplo disso.

 

Susana Paixão

 


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