I
Ó António,
Sempre sonhaste,
Os sonhos escreveste,
A tua solidão cultivou-se nas letras;
Afinal, ó António, letras não são tretas!
Agora, António, não beijas as letras, tudo mudou;
São seringas, comprimidos, antibióticos; tudo te perturbou.
II
Parou o tempo, ó António, a vida vivida,
E quem a apanhou?
Foi o cosmos que se agitou,
E transformou tudo no caos
Onde o António navega a sua vida,
Há muitos meses perdida;
Quando a achará?!…
Talvez um dia, acolá.