CULTURA // “É com certeza… uma Casa Portuguesa” abriu, em dezembro, com o objetivo de celebrar o que Portugal tem de mais genuíno. A par da oferta que a loja apresenta, o espaço dinamiza ainda uma série de workshops que permitem aos participantes explorar diversas áreas, entre elas, a cerâmica e a pintura.
Não há dúvidas de que a nova loja de Coimbra “é com certeza… uma Casa Portuguesa”. Abriu, em dezembro, na Quinta da Portela, com a promessa de apresentar o melhor da produção nacional. Desde a gastronomia, à Arte e decoração, todo o espaço respira Portugal, celebrando o que o país tem de mais genuíno. “Conseguimos encontrar diversas propostas. Tudo feito em Portugal, por portugueses”, revela Diogo Montes, fundador da “Casa Portuguesa”, em declarações ao “O Despertar”.
Entre muitas outras coisas, a loja apresenta uma mercearia gourmet, com produtos que refletem a riqueza gastronómica portuguesa. No caso dos vinhos, por exemplo, “houve a preocupação de selecionar opções diferentes, que só estão disponíveis em garrafeiras, lojas especializadas ou na parte da hotelaria”, refere o responsável.
O espaço inclui ainda uma área dedicada à decoração, onde não faltam peças exclusivas de inspiração nacional. “Nós procuramos essa essência portuguesa que já começa a ser muito valorizada pelos estrangeiros, mas ainda é pouco valorizada pelos próprios portugueses”, confessa. Para completar a experiência, o projeto integra ainda: uma pequena galeria de arte, que visa dar palco aos artistas nacionais; e para os amantes de literatura, há ainda uma livraria com obras “mais marotas”, onde o humor é protagonista.
“O que eu acho que Portugal tem de mais genuíno é o facto de, num país tão pequeno, conseguirmos ter abordagens completamente diferentes de norte a sul do país”, sublinha Diogo Montes. Uma realidade que o jovem quis transportar para a “Casa Portuguesa”.
“Coimbra precisa de mais projetos como este”
Várias vertentes num só lugar: a loja reúne sabores, objetos e memórias que unem tradição e contemporaneidade. Quem por lá entra, não tem dúvidas de que está em Portugal. De acordo com Diogo Montes, abrir um espaço que transmite história numa cidade, também ela, cheia de história, tem um sabor ainda mais especial.
“Também pelo facto de eu ser de Coimbra e ser um orgulhoso conimbricense”, admite. “E acho, sinceramente, que Coimbra precisa de mais projetos como este. A cidade precisa, a população precisa e isto faz com que as pessoas que procuram este tipo de espaços, que vivem na cidade, comecem a perceber que não têm de ir para Lisboa ou para o Porto para terem este tipo de experiência”, acrescenta.
Muito pelo contrário. Na verdade, é a “Casa Portuguesa” quem tem trazido visitantes de outras regiões do país para a cidade. Um caminho feito graças à “Flores de Coimbra”, – loja do qual Diogo Montes também é proprietário. Foi aí que o trabalho começou a ser desenvolvido, sendo essa loja pioneira “em trazer para a cidade todo o tipo de flores: secas, preservadas, naturais, artificiais, de papel… Tudo num espaço só, misturado com obras de arte e marcas de artistas portugueses”, adianta o responsável.
Este conceito inovador resultou numa espécie de migração dos clientes da “Flores de Coimbra” para a “Casa Portuguesa”. Isto porque, segundo Diogo Montes, “nós chegámos a ter, e ainda temos, clientes a vir de propósito de Lisboa e do Porto a Coimbra. E como a ‘Flores de Coimbra’ ajudou a promover a ‘Casa Portuguesa’ nós, nas primeiras semanas, tivemos muitas pessoas de Lisboa e do Porto a vir a Coimbra, de propósito, conhecer o espaço”, salienta.
Todavia, – e porque há quem acredite que “lá fora, é melhor” -, este entusiasmo parece ainda não estar presente no público conimbricense. “Vejo alguma resistência dos conimbricenses numa desvalorização constante, não só acerca do meu espaço, mas de tantas lojas com valor que nós tínhamos e temos; não ajudam a fomentar esses negócios”, lamenta Diogo Montes.
Workshos dinamizam o espaço
Tendo consciência de que “as lojas de rua só funcionam se as pessoas consumirem de forma assídua”, Diogo Montes garante que o receio pelo futuro do projeto é constante, obrigando “a pensar fora da caixa, a explorar outras formas de comunicação e a ter meios que possam ajudar a promover o negócio”. Contudo, nunca foi o lucro que o incentivou a embarcar nesta aventura. Pelo contrário, foi a paixão pelo seu país e a vontade de “enaltecer a cultura portuguesa”.
O certo é que, apesar da loja ser ainda recente, já tem recebido a visita de portugueses e estrangeiros curiosos que, muitas vezes, escolhem regressar. “Já temos pessoas repetentes, pessoas que regressam seja para comprar presentes, seja para tomar café, seja para comprar algum produto de mercearia, o que acaba por ser bom”, conta o responsável. A ambição passa, agora, por “continuar com estes clientes e ser descobertos por outros e tentar, também, promover o espaço com iniciativas que aliciem a pessoa a ir lá. É nesse contexto que nós estamos a trabalhar”, afirma.
Um trabalho contínuo e em constante atualização. A “Casa Portuguesa” não quer ser uma loja qualquer e, por isso, está a realizar vários workshops que visam atrair novos públicos e dinamizar o espaço. O proprietário informa que “a adesão tem sido fantástica” e que alguns deles até já estão esgotados.
A programação pode ser consultada na página da internet do projeto, estando já anunciados dois workshops de cerâmica, em março, e outros dois, em maio. Haverá ainda espaço para workshops de chocolatier local, arte floral, aguarelas e pintura. Todos vão estar a cargo de artistas e artesãos portugueses diferentes. Todavia, o responsável alerta para o facto de “não estarmos focados apenas nestas Artes. Nós queremos ampliar: queremos ter leituras, mini concertos, provas de vinhos,… Várias atividades para atrair mais pessoas e promover o espaço”, realça.
A longo prazo, Diogo Montes sonha em abrir uma nova “Casa Portuguesa”, desta vez, na Baixa de Coimbra. “É um projeto que eu quero mesmo muito. Ainda não é o momento, mas é algo que eu gostava mesmo muito de conseguir”, assegura. Tudo com um único propósito: continuar a dar a conhecer o que de melhor Portugal tem. “Fazendo um balanço daqui a um tempo, se eu puder ter contribuído para um maior consumo de artistas, artesãos e marcas portuguesas, eu vou sentir que o meu objetivo está completo”, remata.
Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 13/02/2026]