Foi num ambiente muito fraterno que o nosso Colaborador Joaquim Belisário apresentou o seu recente livro “AS TRÊS SENHORAS”, na casa da cultura da Baixa, como gostamos de chamar ao Café Santa Cruz que com regularidade franqueia o seu espaço para que ali se veja, se oiça e se faça Cultura. São às dezenas as Exposições de pintura, os Cantares e outras realizações que por ali passam, sejam de autores já conhecidos sejam de outros que, porventura mais humildes, ali encontram oportunidade de dar vida aos seus anseios e seus sonhos. Por exemplo, na semana passada estiveram lá expostos cerca de uma dezena de quadros do artista António Costa, por acaso empregado do Café Santa Cruz há uma data de anos, a quem a Gerência terá dito: traz lá os teus quadros e expõe- os aqui. O Costa ficou feliz e nem por isso deixou de ser o homem humilde, educado e prestável que sempre foi, na semana passada servindo a bica com a simpatia de sempre, mas olhando de soslaio a exposição que lhe enchia o peito e do peito lhe saíra ao longo dos anos.
Foi ali também que o autor de “As Três Senhoras” deu à estampa o seu livro, não fora ele um homem de Coimbra, um Homem da Baixa, um Colaborador permanente do Jornal “O Despertar”, onde publica com fidelidade semanal um Cartoon de traço firme, por todos entendível, mas que às vezes arranha que se farta as sensibilidades mais presunçosas. Livro que, disse-o o autor, foi escrito enquanto três vezes por semana esperava pelo tratamento que tem de fazer, e cujo enredo foi construindo ao longo dos dois últimos anos, resultando numa obra que podemos garantir ter este perfil: escrita num português escorreito, correctíssimo, humilde na terminologia para melhor compreensão; descrevendo histórias de vida que se passaram nas mais variadas condições, diferentes pessoas e locais, desde o Café Nicola (nem que fosse para um simples café de pretensão amorosa, num dos Bancos da rua, numa pensão da Baixa, no norte do país, na Guiné, na Síria, no Tibete e muitos outros endereços onde chegou a investigação curiosa de Joaquim Cruz, nome com que se apresenta como autor e homenageia o seu avô. Todas as histórias que o protagonista do livro coloca no regaço de três bonitas (ou quatro) cidadãs do mundo são histórias ricas, atributo conseguido e garantido pela cuidada investigação feita pelo autor nesses lugares para onde o destino levou a sua imaginação, decorando cada história com pedaços de realidade que ilustram a obra e enriquecem a cultura de quem lê. Por tudo isto e o muito mais que se poderia dizer, as “Três Senhoras” do “nosso” Belisário são uma obra a ler. E a reter, tanto mais que a primeira edição que dela se fez desapareceu num ápice, restando dois ou três exemplares não vá o vento e o tempo apagar- -lhes o rasto.
Na apresentação do livro colaboraram Lino Vinhal e Sansão Coelho, dois homens de Coimbra que à comunicação social deram o melhor de si durante toda a vida. Amigos do Autor, ambos ligados ao Despertar que co-patrocinou a edição, foram ali testemunhar a valia da obra e o mérito do Autor. E se, muito mais interesse houver, quem sabe se mais edições não haverá. Basta sinalizar esse interesse. Como? O