25 de Setembro de 2021 | Coimbra
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Mercearias a granel: comprar a peso e sem plástico na zona de Coimbra

7 de Fevereiro 2020

Em clima de preocupação com a saúde e o meio ambiente, eis que surgem alternativas que permitem à sociedade optar por um estilo de vida mais sustentável como, por exemplo, as mercearias a granel.

No distrito de Coimbra, existem alguns espaços comerciais que disponibilizam vários produtos avulso que são, na sua maioria, biológicos (não sendo esta uma condição necessária), ou seja, livres de fertilizantes, pesticidas ou outro tipo de químicos. Os produtos são vendidos a peso e o objetivo é que os clientes levem as suas próprias embalagens.

A Grão Natural, na Rua Armando de Sousa, perto do parque do Vale das Flores, é uma loja biológica. Um espaço contemporâneo, que nos lembra as mercearias antigas, permitindo-nos fazer uma viagem até ao passado, talvez por culpa dos ingredientes a granel, pelas estantes em madeira ou a simples disposição das coisas.

Nasceu em 2016, pelas mãos de Filipe Pereira, que abriu o negócio “por vontade própria, conhecimento dos produtos e seu consumo”. Há produtos frescos, secos, de mercearia, higiene e até cosméticos.

“Essencialmente, temos em loja produtos com certificação bio” e “o facto de termos, mais tendenciosamente, produtos vegetarianos e veganos está relacionado com a necessidade do mercado, limitações e tipo de cliente que não nos permitem ter carne biológica ou outro tipo de artigos. Nós não temos nada contra o consumo de carne, mas sim o consumo massivo e a forma como se produz”, explica.

Em Cantanhede, abriu recentemente a “V.V. GRANEL”, na Rua Carlos Oliveira. Uma loja que nasceu da saudade de Vera Figueiredo, proprietária, dos tempos em que acompanhava a avó à mercearia do bairro para “ir comprar um litro de feijão, de grão”, afirma.

As cores dos alimentos, nomeadamente das especiarias, tomam conta do espaço. A maior parte dos artigos são biológicos e a granel, de modo a apoiar os agricultores da terra e o consumo de alimentos sazonais. Aqui também se promove o artesanato local, vendendo sacos de algodão, sabão natural, entre outros.

A mercearia tem um recanto onde é possível beber um café e comer biscoitos ou, por exemplo, um folhado feito com massa, pera, açúcar e coco, todos confecionados a partir de ingredientes biológicos.

No entanto, a venda a granel não se destina somente aos produtos alimentares.

A Green2you, no piso -1 do Centro Comercial Primavera, em Coimbra, vende detergentes ecológicos a peso, artigos de higiene, velas de soja e coco sem parafina e outros itens amigos do ambiente.

Segundo Marta Lopes, gerente da loja fruto da empresa mãe “Amaral e Lopes”, quase todos os produtos são nacionais ou da região. “Temos de Coimbra, Antanhol, Lousã, Fundão e alguns de Lisboa. A única coisa que, de momento, não é nacional são as pastas e escovas de dentes que vêm da Austrália, porque é uma marca muito boa.” Acrescenta, ainda, que “os detergentes ecológicos são produzidos cá em Coimbra, pela Greendet”, empresa com a qual já têm uma parceria há 10 anos e que, além de serem “biodegradáveis, degradam-se mais rapidamente e têm menos químicos na sua composição”.

De modo a confirmar que estes detergentes seguem as regras da União Europeia, existe a certificação “ecolabel”, que permite identificar quais os produtos que são amigos do ambiente.

Vantagens e desvantagens

Existem fatores que se devem ter em conta quando se compra a granel. Segundo Vera Figueiredo, a relação qualidade/preço dos produtos é um deles, pois, “é superior e isso nota-se pelos cheiros e cores” e “acaba por ser muito mais vantajoso porque a pessoa leva a quantidade que quer”.

Outro dos pontos a favor é o facto de não haver desperdício, ou seja, só se compra a quantidade que se precisa. “Nós compramos um pacote de 10 gramas de uma especiaria, por exemplo, canela que só é usada uma certa parte e depois chega um dia que se estraga e nós vamos deitá-la para o lixo”.

Marta Lopes, da Green2you, partilha da mesma opinião. O cliente “não tem de levar nem um litro, nem dois”. Acrescenta, também, que “o apoio do comércio local” é outro dos princípios deste tipo de negócio.

O atendimento ao cliente acaba por ser mais próximo. Têm acesso a informações acerca dos produtos que muito dificilmente teriam numa grande superfície comercial.

Todavia, também há desvantagens. Filipe Pereira afirma que existe “muita gente que associa os produtos biológicos a produtos mais caros, é real. Mas, no entanto, não é assim tão linear quanto isso. Usando como referência as grandes superfícies, há produtos que são muito mais caros do que o que nós temos”.

Vera Figueiredo explica, ainda, que os agricultores que se dedicam a um cultivo biológico “têm muito mais trabalho e gastos na agricultura, nas certificações, no facto de não utilizarem fertilizantes e nos estragos feitos pelas tempestades”.

Produtos proibidos

Todas estas mercearias têm os mesmos objetivos: evitar o desperdício, reduzir o uso de plástico (incentivando os clientes a reutilizar as embalagens) e apoiar o consumo de produtos biológicos, de modo a melhorar a qualidade de vida da população. Na Green2you são recolhidos pequenos frascos dos cafés para os clientes que não trazem embalagem, sem qualquer custo.

A proprietária da “V.V. Granel” acredita que todos podemos fazer uma coisa mínima, “mas se mais pessoas o fizerem, já é um grande avanço, uma grande ajuda” e que “temos de nos reeducar para isso”.

No entanto, existem vários produtos que não podem ser vendidos a granel como, por exemplo, o arroz, o açúcar de coco e, mais recentemente, o mel e as farinhas.

“Não há nenhuma justificação válida para isso. A partir do momento em que os deixei de ter a granel, passei a vender muito menos. Houve casos, como o arroz, em que aumentou quase um euro o quilo. Se aumentou para mim, eu também o tive de aumentar”. Em relação ao mel, “toda a gente trazia um frasco, que era sempre reutilizado. Era chegar e encher”, desabafa Filipe Pereira.

Posto isto, e segundo os comerciantes, há cuidados de higiene a serem cumpridos. Vera Figueiredo conta que os frascos são todos esterilizados, hermeticamente fechados para conservar a qualidade dos produtos” e que “cada frasco tem o seu utensílio para retirar”. Acrescenta que existem “muitos cuidados que se têm de ter, para não se correr o risco de contaminação”.


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