14 de Março de 2026 | Coimbra
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Martinho

MEMÓRIAS DE UM EX-ALUNO DO INSTITUTO COMERCIAL DO PORTO (ICP)

22 de Novembro 2024

O então designado ICP, instalado na Rua de Entreparedes, era referenciado com o maior nível de estudos mercantis da capital nortenha e ainda por ser um estabelecimento de ensino técnico médio, a exalar essências de ensino superior, em aspetos da sua vida académica e comportando no seu currículo, entre outros cursos, Correspondência em Línguas Estrangeiras; Contabilidade e Administração; e Preparatórios de Admissão à Universidade, pelo qual optei.

Foi nessa conjuntura que no início dos anos 60 me candidatei à admissão àquele Instituto, para o que encetei um árduo esforço de preparação para vencer a realização de 9 provas de exame, das quais português e matemática eram eliminatórias.

É de destacar o conteúdo da prova de português: ditavam um texto e para   procedermos à sua interpretação; à identificação da obra, o nome do autor e a escola literária em que se enquadrava; e, finalmente, uma redação que, no caso, versasse sobre um facto histórico que mais nos tivesse despertado amor patriótico. Se não se identificasse o nome da obra e do autor, as restantes respostas, porque dependiam da lª, estavam fatalmente erradas.

Realizadas e conferidas a totalidade das provas, no caso de aprovação nas outras sete e insuficiência naquelas duas, o desfecho era o fracasso da reprovação na totalidade. Paradoxal era o facto de se prestarem todas as provas, e se reprovássemos apenas nas referidas duas, as restantes, ainda que com nota positiva, não eram consideradas no cômputo do resultado final, e eis a reprovação definitiva.

Pela minha parte, senti a ventura e a compensação, do meu hercúleo esforço, de dispensar da prova oral de português e de, apenas por cinco décimas (15,5), não ter alcançado o mesmo efeito na prova de matemática, o que até me destacou, e a mais uns poucos (entre cerca de 620 candidatos), perante o modesto panorama geral dos resultados.

Decorridos alguns anos, cônscio do disparate, o conselho diretivo corrigiu o regime de provas, antecipando a realização das eliminatórias e, de acordo com os resultados, assim os candidatos eram ou não submetidos à realização das restantes.

Às praxes, a que aderi, coube-me em sorte adquirir um selo de correio e colocá-lo na testa do Sr. Sinaleiro que regulava o trânsito na embaraçosa Praça da Batalha, a uns 80 metros do Instituto, o qual com toda a condescendência e rasgado sorriso, me facilitou a tarefa, tirando o capacete e aproximando a testa para me tornar mais fácil a missão.

Felizes recordações daquela vivência académica…


  • Diretor: Lino Vinhal

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