Já perdi a memória. Não me lembro
Se sou isto ou aquilo, se sou eu.
Da minha própria alma me desmembro,
Ao ponto de ignorar tudo o que é meu.
Já não sei se o Natal é em Dezembro
Ou se sou crente, agnóstico ou ateu.
Se vim ao Mundo em Maio ou em Novembro,
Se enlouqueci de luz ou se de breu.
Palavras mil já não me dizem nada.
Não estou certo sequer se até rimaram.
Pergunto-me o que faço mais aqui.
Viver assim é lânguida jornada.
Sinto que as minhas asas se cansaram.
– Já perdi a memória. Já morri!
27/11/2023
A Vítor Ilharco (27/11/1929 – 19/11/2023),
meu tio e padrinho, com saudade imorredoira.