2 de Outubro de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

MARICARMEN E REDES

2 de Outubro 2026

As redes sociais trazem-nos muita desinformação e manipulação, e recordando palavras de Umberto Eco em discurso de 2015 na Universidade de Turim, estas (redes sociais) DERAM DIREITO À PALAVRA DE UMA CAMBADA DE IMBECIS. Apesar desta constatação e deste e doutros alertas, continuamos estupefactos perante aleivosias inseridas nas redes sem que surja uma entidade fiscalizadora eficaz que possa mediar e por cobro aos desmandos informativos, alguns quase letais. A impunidade campeia, a desfaçatez de vários produtores de falsos ou deturpados conteúdos prossegue, a ofensa gratuita vegeta, a vigarice nalguns casos preocupante chega a envolver cidadãos que se sentem fraudulentamente utilizados.  Contudo, de vez em quando, as redes sociais também ficam ao serviço de boas causas e, de facto, só ao serviço destas ou do fenómeno informativo factual deviam existir. Em Espanha estão a defender uma idosa que foi desalojada.

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Na vizinha Espanha, o recente fenómeno Maricarmen veio indignar milhares ou milhões de cidadãos, mas não só em Espanha como em quase toda a Europa, e muitos a utilizarem as redes sociais reclamando a moralização. Maricarmen é uma cidadã de 87 anos com muitas incapacidades que foi despejada do seu domicílio madrileno de quase sempre, aliás, anteriormente habitado por seus pais.  A anciã pagava uma renda de cerca de 500 euros/mês e, de súbito, o imóvel foi adquirido por um fundo imobiliário que lhe exigiu uma renda cerca de três vezes superior ao que pagava.  Esta novo valor da renda era incomportável com a pensão de reforma desta idosa, cujo valor nem sequer iria chegar para pagar a nova renda. A anciã foi despejada e deu entrada num hospital. Através das redes sociais, catalisadoras e amplificadoras da indignação (aqui a parte boa das redes sociais), e também por relatos nos média tradicionais, a situação MARICARMEN projetou-se em várias cidades e, ao que lemos, na capital espanhola manifestantes acamparam na Puerta del Sol num vigoroso protesto contra a especulação imobiliária. A situação habitacional em Espanha é grave tal como em Portugal, faltam casas, os preços sobem especulativa e obscenamente e há casos de idosos a serem enviados para as periferias ou para as moradias dos filhos na impossibilidade de continuarem nos seus lares donde foram despejados e que agora, muitas vezes, servem para Alojamento Local ou para outros fins, mas estará subjacente um fenómeno especulativo.  Cuidado. Não sou contra a atualização racional e possível das rendas, mas sou contra a descaraterização dos tradicionais e típicos bairros das nossas cidades e, pessoalmente, sou contra os despejos. As rendas devem ser atualizadas dentro do aumento que ocorre do custo de vida, mas não devia ser possível desalojar os arrendatários por lhes exigirem novos, astronómicos e incomportáveis valores de renda.

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Vivemos situações horríveis como a de contratos de arrendamento em Espanha a serem feitos dentro do novo lar para evitar que este esteja ou venha a ser ocupado pelos chamados OKUPAS, pessoas ou grupos que estão a viver numa habitação sem autorização do legal proprietário. Há, pois, uma inversão de valores. Parece que se aproxima a lei da selva. E no país vizinho, face ao caso Maricarmen, o governo teve de se apressar a criar legislação para resolver este e outros problemas idênticos ou na mesma esfera.  Um aviso para Portugal?

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Seria de bom tom que o governo português refletisse, rápido e em pouco tempo, com legislação para evitar que haja, entre nós, casos Maricarmen. Ocupar ilegalmente um imóvel é crime, mas não resolver o problema habitacional no país e não proteger de forma razoável arrendatários é algo que pode ser amoral, desumano, e gerar grandes conflitos. Não sei se entendi bem, mas presumo ter percebido que o governo português quer despejos mais céleres? As rendas nunca foram tão caras entre nós, como atualmente, e por isso receio que venha aí uma crise MARICARMENIANA adotada ao nosso país. As rendas têm subido e se compreendemos que os proprietários falem em desgaste das suas habitações e impostos, o lucro não pode estar acima de tudo. São necessárias muitas mais habitações com financiamento, mais cooperativas de habitação, mais construção e travar urgentemente situações desumanas nesta área tão importante num país onde se canta pão, paz, habitação. E este cantar está afinado ou desafinado? Numa cidade de estudantes, como Coimbra, é preciso também estar alerta em relação a preços considerados elevados que venham a ser praticados pela renda dos quartos.

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Quanto às redes sociais, pedem-se conteúdos verdadeiros, úteis, e adaptados aos objetivos. Mais regulação e leis apertadas e, por favor, não esperem pelo caos total e absoluto na habitação e nas redes sociais. Cuidado. Muito cuidado.

 


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