23 de Abril de 2021 | Coimbra
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Manuel Machado sonha com “Coimbra a amar-se a si própria”

1 de Abril 2021

Licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra é, hoje, presidente da Câmara Municipal de Coimbra pelo segundo mandato consecutivo (cargo que já tinha ocupado de 1990 a 2001) e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e diz sentir-se feliz com a vida. Enquanto autarca da cidade, Manuel Machado já enfrentou as maiores intempéries, que vão desde os desastres naturais de grande dimensão (os incêndios de 2017 ou o Furacão Leslie) à pandemia de covid-19. As provações são muitas “mas a determinação é a mesma de sempre”, garante. Em entrevista ao Grupo Media Centro – Rádio Regional do Centro, ‘Campeão das Províncias’, ‘Campeão Digital’ e ‘O Despertar’ – fala de vários temas mas todos eles têm um elo que os une: Coimbra.

Recandidata-se porque tem um conjunto de obras que quer concluir ou porque tem «alguma na manga» para o próximo mandato?

Tenho um sonho que é fazer Coimbra amar-se a si própria, aumentar a auto-estima dos conimbricenses, que eles se sintam felizes na nossa cidade. Vivi a maior parte da minha vida em Coimbra e para Coimbra. É necessário fazer trabalhos materiais, intervenções, como é o caso do «casamento» das margens do rio. Para mim o Mondego tem três margens: a esquerda, a direita e a terceira é a da espiritualidade e do amor próprio que eu quero estimular e venho a empenhar-me em fazê-lo. É o tratamento material e imaterial das margens do rio, um trabalho que tem de continuar. Mas há outras ações que devem ser impulsionadas como é o caso da redução das assimetrias entre o centro e a periferia e isso faz-se com coisas concretas, como é o exemplo dos transportes. O problema do túnel da Estação Velha impede-nos, por exemplo, de avançar com as carreiras dos transportes públicos dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) até Andorinha. O problema do estrangulamento do túnel de Coimbra B é um trabalho para ir em frente e estará feito dentro de dois ou três anos até porque já tem financiamento assegurado, projeto aprovado e é necessário realizar. Mas, o tempo em que vivemos hoje atrai outros motivos de preocupação. No dia em que acabar ou abrandar a covid-19 receio pelo desemprego. As empresas que podem não aguentar, a crise sanitária e a de saúde pública.

Está preparado para o pós-pandemia?

Sim, tem de ser. Começámos agora uma experiência nova na vida económica: uma plataforma para ofertas de espaços de acolhimento empresarial para ser conhecida aqui e no resto do mundo. Para que venham, criem emprego e produzam riqueza. Coimbra tem condições e características ímpares. Os jovens que se formam nas escolas superiores universitárias e politécnicas são uma mais valia importantíssima. O essencial está cá e deve ser aproveitado.

A forma de fixar esses jovens faz-se com a criação de emprego…

…é a metodologia certa para o fazer e numa relação de respeito mútuo com os empreendedores. Há investimentos em curso que, por respeito pelos empreendedores não divulgo ainda, mas estou autorizado pela Olympus a informar que as instalações estão quase concluídas no iParque. Nós continuamos a comprar terrenos para ampliar esta zona, estamos a preparar a cidade para uma nova frente de trabalho e para vencer o paradigma existente que diz que as empresas em Coimbra não têm lugar. Isso não é verdade.

…a esse propósito, ouve-se muito dizer que o Dr. Manuel Machado não atrai investimentos para a cidade, que não gosta de empresas…

É um mito urbano que nada tem a ver com a realidade. Respeito os empresários e Coimbra tem, apesar das dificuldades que advieram da pandemia, mais empresas criadas do que definhadas. Mas estamos prontos para ajudar, se for preciso, complementarmente, e tenho uma grande esperança no financiamento dos fundos de apoios comunitários e no trabalho que está a ser feito, por exemplo, pela Bluepharma. A revitalização da vida económica da cidade é importantíssima e também não excluímos apoiar empresas que se instalem até em concelhos vizinhos. Não devemos olhar apenas para o umbigo e é importante que percebamos que quando outros se desenvolvem a nós também ajuda.

Coimbra teve alguma presunção nesse aspeto que não lhe fez muito bem…

As coisas mudaram mas essa foi uma época difícil com preconceito relativamente à indústria, pensando que ela iria prejudicar a universidade e vice-versa. Nada a ver. Esta cultura tem vindo a ser melhorada através também, por exemplo, do Instituto Pedro Nunes (IPN), que ajudei a criar (e do qual sou presidente da Assembleia Geral) e é um espaço importante, não confinado ao território geográfico do IPN mas à matriz da relação que tem com outros agentes económicos da investigação e da ciência. E temos outras empresas novas também e tem havido coisas surpreendentes a este nível e mesmo criativas.

Ainda voltando um pouco atrás, o iParque está a crescer não está?

Muito. E é mais um centro para impulsionar a vida sócio-económica e a ciência. Não foi ainda possível mas será dado, a seu tempo, a conhecer mais em detalhe quando formos descerrar a placa do auditório Da Vinci de um homem que nos deixou cedo, o Dr. Agostinho Almeida Santos.

É, sobretudo, importante que Coimbra tenha memória…

Eu sou daqueles que acha que perder a memória é perder o futuro. A vida vivida é a grande lição que temos e que nos pode conduzir no futuro.

Ainda no domínio das obras há aí uma que tenho ideia que tem um especial carinho por ela… as obras nas margens do Mondego.

Já está aprovado o projeto para ligar, por exemplo, a ciclovia que vai pela margem esquerda do Mondego até às imediações de Montemor-o-Velho e depois atravessa para a margem direita e vai até à Figueira da Foz. A zona do Parque Verde será uma zona de brio, de qualidade. Com a qualificação do espaço público que já aconteceu nalguns sítios e noutros está a acontecer como é o caso do Terreiro da Erva, ou da Rua Direita com a abertura que está em curso da ligação entre a Rua da Sofia e a Via Central. Partindo do Choupal, pela margem direita, depois da ponte de Santa Clara (com requalificação do Parque Manuel Braga)… só nestas duas intervenções, que estão em curso, estamos a falar de, pelo menos, 15 milhões de euros. Depois queremos continuar até à Portela. Temos pelo meio a Praia Fluvial do Rebolim e daí podemos ir até à ponte da Portela. A ideia é tornar o espaço público e permitir que seja usufruído por todos. Está a ser feito o estudo (apenas estudo ainda) para um campo de golfe e só pode ser anunciado depois de haver condições técnicas em como não vai prejudicar, desde logo, as captações de água, ou seja, só garantindo a qualidade do rio e as cláusulas de segurança prévias. O primeiro objetivo é adquirir os terrenos e depois o que der para usar utilizar-se-á. Passando para a margem esquerda, o trabalho decorre a partir da ponte Santa Clara com o Parque Verde que já está feito, com uma intervenção interessantíssima nas imediações do Exploratório. Há também investimentos privados com grande qualidade. Na zona do Arnado temos ainda umas componentes por resolver. Continuamos a pretender transformar a Estação Nova num Centro Cultural. Mas há um conjunto de prioridades e o primeiro objetivo é pôr a Metro Mondego a transportar pessoas que é uma contenção de despesa pública relevante. Só falta a resolução do Conselho de Ministros que autoriza a empresa Metro Mondego a abrir o concurso para a compra dos veículos para transportar pessoas. A operação Metro Mondego estava chumbada pela Comissão Europeia e foi em janeiro deste ano que se conseguiu uma resolução que validou o projeto, após várias diligências. Foi idealizado há 30 anos, é muito tempo. É indispensável, com a conclusão das obras, que haja os veículos para transportar as pessoas. É preciso acelerar o investimento.

Gosta mesmo de Coimbra, não é?:

Claro. Já me ofereceram oportunidades para sair de Coimbra, até mais bem pago, e não quis. A minha escolha foi esta, assumi-a cedo e mantenho-a. Aqui comecei a minha vida pública e aqui vou acabá-la.


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