26 de Junho de 2022 | Coimbra
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Maior ambição da Marcha de Santa Clara é ter um local para ensaiar

9 de Junho 2022

Já com mais de 60 anos de existência, a Marcha de Santa Clara voltou a ter vida em 2009.  A ideia de voltar a ter uma marcha no Bairro de Santa Clara inquietava os que nele moravam. As famílias que iniciaram este projeto já traziam consigo a tradição marchante com os fatos, adereços e a “tendência para marchar”.

“A primeira exibição teve lugar no Largo da Rainha Santa e a partir daí começaram a nascer projetos como a Associação de Moradores do Bairro de Santa Clara com o propósito de a acolher”, conta ao Despertar Fernando Gomes, presidente da Marcha de Santa Clara.

Neste momento, este grupo dançante é composto por 18 pares de dança, com idades compreendidas entre os seis e os 64 anos. Além destes contam também com mais oito pessoas no coro, sendo que uma delas é do sexo masculino.

 

Procura pelo ensaio

 

Com o apoio da União de Freguesias (UF) de Santa Clara e Castelo Viegas conseguem ter um espaço onde podem guardar os seus fatos e adereços para as atuações. Falta-lhes um local para os ensaios.

“Não conseguimos ensaiar como queríamos porque não temos sítio e já falamos com o presidente da UF, mas é como ele diz vamos ver se há pavilhões ao longo da freguesia para que isso seja possível, contudo esses sítios são próprios para desporto e não propriamente para danças de salão”, explica Fernando Gomes, reforçando que “a dimensão do local também tem que ser avaliada tendo em conta as dimensões dos espetáculos e o espaço que têm durante cada atuação, pois se o local do ensaio for muito grande e na apresentação pública o espaço for reduzido não conseguem atuar devidamente devido à potencial falta de sitio”.

Além da falta deste local próprio para os ensaios, que é mencionado como o maior obstáculo que esta equipa marchante enfrenta, os horários também são limitados e não facilitam a procura do mesmo, pois devido “à diferença de idades e à rotina de cada um só é possível ensaiar aos fins de semana, mais concretamente ao sábado”, salienta.

 

Sentimento em cada atuação

A primeira atuação nunca se esquece e Fernando Gomes tem bem presente na memória a sua, que surgiu pelo acaso.

“Quando se aproximava, a atuação alguns meninos desistiram por vergonha e perguntaram-me se eu não queria ir e, com mais dois ou três ensaios, lá fui eu. Foi engraçado e dançámos desde o Palácio da Justiça até Santa Clara, nunca vou esquecer!”, confessa ao Despertar.

Apesar da inesperada estreia nas marchas, foi a atuação realizada em honra da padroeira da cidade, Rainha Santa Isabel, que mais os marcou.

“Montámos tudo a chover e achávamos que a atuação ia decorrer debaixo de chuva, mas como o povo diz dança molhada dança abençoada e durante todo o espetáculo não choveu e dançámos. Foi uma emoção tão grande”, conta.

O amor à dança marchante é o que os faz continuar a lutar e a marchar pelo país fora, mas “dançar em Coimbra tem um sabor diferente e é sempre um privilégio atuar na cidade de origem”, confessa.

 

Reservas do futuro 

O principal objetivo da direção da Marcha é ter um espaço para os ensaios. Seja ele qual for, mas que o espaço seja equiparado ao de um espetáculo ao vivo. Apesar de já terem praticado as danças marchantes no pavilhão de Santa Clara e sentirem que “têm um espaço muito bom, não é o adequado para esta atividade”.

A importância de um espaço para a prática marchante vem ao encontro das necessidades que a Marcha de Santa Clara tem vindo a ter devido ao crescente número de espetáculos e também com a criação de toda uma atuação única. Os temas selecionados, normalmente, estão relacionados com Coimbra. Contudo, este ano a temática tem como base o panorama nacional atual.

O programa deste ano já conta com doze atuações anunciadas, entre elas a de 12 de junho, nos Olivais, a 17 de junho na Noite Branca, em Coimbra, no dia seguinte encontram-nos em Miranda do Corvo e na Feira Popular, em Coimbra, a 6 de julho, pelas 19h00.

O cansaço de Fernando Gomes, presidente já desde 2011, já começa a ser notório e com a vinda das eleições descreve o “futuro da Marcha como incerto”, mas com a garantia “que nunca acabará”.

“Quero que esta Marcha, além dos espetáculos, fique conhecida como a Marcha do Bairro de Santa Clara que também apoia os mais carenciados, porque se tivermos que fazer mais que uma atuação por dia de forma a apoiá-los nós faremos”, confessa Fernando Gomes.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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