21 de Outubro de 2021 | Coimbra
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SANSÃO COELHO

“Madre” Teresa Granado

3 de Setembro 2021

Para: “Madre” Teresa Granado

Morada: Assento etéreo

MADRE;

As saudades são grandes e, sem demoras, receba este email aí no Assento Etéreo onde agora está. A Direção da Comunidade fez o melhor que pôde o que agradecemos, e Coimbra, apesar do covid, fez a sua sentida Despedida. Tantos a noticiarem. O Diário de Coimbra destacou na capa, em parangonas, a partida da Madre indiciando a emoção da cidade; o Campeão das Províncias inseriu uma reflexão do Barreiros; a sua amiga dr.ª Natália Cunha Matos, dentre milhares de amigos, elaborou um texto onde rememora que a Madre “ainda jovem, após terminar o seu curso, ingressou na ordem franciscana. Faz os seus votos conforme a filosofia de S. Francisco de Assis. Assim viveu sua vida. Sem perder nunca o encanto da sua alegria e força de viver. (…) As suas conversas eram páginas e páginas de sabedoria. A sua alegria contagiante era inigualável. O amor pelas suas crianças e jovens era inexcedível e infinito. Não quis nada, mais nada desta vida ou deste mundo que não fosse o amor fraterno“. Publiquei o texto integral no meu blogue e recordei, no mesmo, o seu ar duplamente feliz quando assinou com a Câmara e o Dr. Machado, em julho de 2016, o contrato de direito de superfície do terreno durante 50 anos onde implantou em Eiras/São Miguel a Comunidade Juvenil de São Francisco de Assis.

Muitos a evocaram, nestes dias, aqui por Coimbra e também pela sua Covilhã onde o município deixou um marcante adeus e um reconhecimento à sua Vida e Obra.

A Madre sabe que inspirou alguns ilustres a narrarem a sua humanizante forma de ser e estar como o fez, num conto, o também saudoso Dr. António Arnaut, aí a seu lado? Se fosse agora teria escrito um romance – tenho a certeza. O seu João Elói estava preocupado porque queria arranjar um vestido para a Madre levar na Viagem, mas havia poucos e estavam com traça ou mofo. Já viu a preocupação do seu João?! Disse-me estar disposto a continuar na jardinagem e a trabalhar para a Comunidade fazendo serviços gerais de manutenção. A Sandra, a dr.ª Sandra dos dinâmicos e acolhedores Castanheira, já tem um pequerrucho lindo e loiro de 11 meses, tão loiro que dizem parecer um anjo, é uma homenagem à Madre – é o que penso. Chegou a conhecê-lo? Podia falar-lhe de muitos que a choram, mas só não a chora quem não conhece o que a Madre fez de lindo.

Por aí já escutou o seu Grupo Coral? Cantou? Músicas celestiais – admito. Os seus meninos e jovens vão ter, certamente, direito a andarem felizes de bicicleta como aqueles que andam felizes de bicicleta e que têm Pais com eles em casa. E roupa de marca e ar de malta gira porque é assim a juventude: por igual, por favor. É na tenra idade que começa a democratização e a igualdade – ai do que eu falo?! É algo de que a Madre tanto sabe e nisso foi luz para tantos.

Vou terminar e pedir-lhe desculpa porque em vez de verter umas lágrimas (protocolar e SENTIMENTALMENTE adequadas e contextualizadas) vejo o seu sorriso singular, bonito, esperançoso, doce. Agarro-o. Tão bom.

Até breve. Com eterna admiração.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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