No segundo sábado de cada mês, o Limalha Atelier abre portas aos curiosos pela Arte da joalharia. Cada workshop convida os participantes a aprenderem técnicas e a desenvolverem a sua criatividade, criando, posteriormente, uma peça única que podem guardar para sempre. Todo o processo é acompanhado por Adriana Oliveira, fundadora do Limalha, que viu neste espaço a oportunidade de inovar na cidade.
“Eu sei que não existe oferta nenhuma, aqui na região, a nível formativo na área da joalharia. Ou seja, é tudo muito localizado na região do Porto e Lisboa. Entretanto, como eu criei o meu atelier e tinha noção de que havia essa lacuna cá, em Coimbra, decidi realizar workshops para as pessoas que tivessem interesse”, conta Adriana Oliveira, em declarações ao “O Despertar”. De acordo com a responsável, são muitos os curiosos por esta Arte que se têm mostrado “felicíssimos por descobrirem que, finalmente, há formação na área, aqui, em Coimbra”.
Nos workshops, cada participante pode aprender técnicas tradicionais de joalharia, que vão desde o design das peças, à produção, fundição e acabamento. Com isto, ficam ainda a conhecer as ferramentas que, normalmente, são usadas ao longo de todo o processo. “Eu faço sempre uma introdução: mostro o atelier, explico o que é que se faz aqui e, depois, passo a apresentar o que é que é o processo de cera perdida, uma técnica que consiste na criação do anel em cera, que, posteriormente, é transformado em prata”, indica a responsável.
A escultura em cera dá asas a uma maior liberdade criativa e, por isso, não há lugar para receios. Sob a orientação de Adriana Oliveira, cada participante pode aventurar-se a criar um anel ao seu gosto. Um trabalho que, em média, dura 3 horas. No final, o anel fica no atelier para que a responsável o possa fundir. Na hora de o levantar, a surpresa no rosto das pessoas é evidente. “É completamente diferente: o peso, o brilho,… É sempre incrível essa transformação do antes e do depois. As pessoas ficam sempre super felizes com os anéis e muito orgulhosas do trabalho que fizeram”, sublinha.
Uma experiência única
Por conta do acompanhamento próximo e personalizado, cada workshop tem uma lotação máxima de 8 pessoas. O último, – realizado em Fevereiro -, esgotou em pouco tempo, o que, segundo Adriana Oliveira, prova que Coimbra precisava de uma experiência como esta: única e diferente. “Na minha opinião, é um momento muito interessante (…) onde as pessoas conseguem, com as próprias mãos, criar uma peça que vão ter para a vida toda. Percebem que não é preciso, para esta técnica em específico, nenhuma formação prévia, nenhuma experiência ligada às manualidades”, refere a fundadora.
Além disso, por ser um trabalho personalizado, “dá para perceber a individualidade de cada pessoa, porque o mote é o mesmo, as ferramentas são as mesmas, mas, no final do workshop, não há uma peça igual. Então é muito interessante ver isso também: a criatividade de cada participante”, confessa ainda.
Os workshops destinam-se à comunidade em geral, requerendo apenas inscrição prévia. Desde que Adriana Oliveira iniciou estas atividades, muita gente passou pelo atelier. Desde os 18 aos 60 anos, o público que procura esta iniciativa é muito transversal e oriundo de diversas áreas. “Já tive psicólogas, enfermeiras e pessoas da área da ilustração, por exemplo. Não consigo traçar nenhum perfil. A maior parte é o público feminino, mas também já tive público masculino a fazer workshops”, revela a responsável.
A estes, juntam-se ainda dezenas de estrangeiros que estão em Coimbra e que procuram experiências diferentes, mas não só. Sem que nada o fizesse prever, o Limalha Atelier começou também a receber pedidos para vouchers, de modo a que as pessoas pudessem oferecer estes workshops a amigos e familiares. Adriana Oliveira assentiu e, desde então, este é um presente cada vez mais comum nas casas dos conimbricenses.
Atelier deu vida à marca “No Name Brand”
Apaixonada por joalharia desde tenra idade, Adriana Oliveira garante que sempre gostou de criar. Na adolescência, começou a explorar arames e peças de joalharia com cera, de forma completamente auto-didata e ainda sem acesso a qualquer tipo de formação. Já na vida adulta, optou por seguir o caminho das Artes e, posteriormente, do Design. Foi já depois de ter ingressado no mundo laboral, e do nascimento da primeira filha, que considerou ser o momento ideal para regressar a essa paixão.
“Foi quando comecei a desenvolver o conceito da minha marca própria”, lembra. A “No Name Brand” nasceu ainda antes do Limalha Atelier, numa espécie de “pontapé de saída” para aquele que viria a ser um estúdio ao alcance de todos. Hoje em dia, quem por lá entra para realizar os workshops, tem a oportunidade de ver de perto o resultado de uma Arte milenar. A marca de Adriana Oliveira é, por norma, usada para mostrar o resultado de todas as técnicas e ferramentas usadas na joalharia de autor.
“As pessoas ficam muito surpreendidas por tudo o que está por trás do processo”, confessa, salientando que, ao conhecerem de perto as coleções que a joalheira faz para a sua marca, estas ganham ainda mais consciência do trabalho desenvolvido e, por consequência, valorizam ainda mais esta Arte.
“Acho que, quando entram no meu atelier, conseguem ver o habitat natural de um joalheiro. Têm aqui um bocadinho de tudo: desde a parafernália para tirar as fotografias, à exposição das coleções e às bancas com as diversas ferramentas. Assim, conseguem ter uma noção e dar valor”, frisa a responsável.
Garantindo que o que motiva, cada vez mais, as pessoas a embarcarem neste tipo de experiências é o facto de “quererem desligar-se dos ecrãs e viverem aventuras presenciais”, Adriana Oliveira promete continuar os seus workshops, na certeza de que estes acrescentam valor à cidade. Os próximos já estão marcados para os dias 14 de março e 11 de abril. As inscrições podem ser realizadas através do formulário disponível na página do Instagram do projeto.
Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 27/02/2026]